Uma noite mal dormida pode causar baixo rendimento no trabalho, cansaço, desatenção, dor de cabeça, dificuldade de concentração. Esses são os efeitos imediatos, mas os danos podem ir muito além, segundo a médica Luciana Palombini, pneumologista e especialista em medicina do sono do Laboratório do Sono. Diversas funções cerebrais são prejudicadas, como raciocínio, humor e rendimento. Em crianças e adolescentes os danos podem ser maiores.

"Depressão, Transtorno de Défict de Atenção e Hiperatividade e Transtorno Bipolar são alguns dos problemas que poderiam ser causados pela falta de sono. Muitas crianças acabam medicadas com ritalina quando na verdade só precisam dormir direito", explica.

E por dormir direito não devemos entender apenas dormir várias horas por noite e sim ter um sono de qualidade, segundo a especialista. "Em média nós dormimos entre sete e oito horas por noite, mas há pessoas que ficam bem com cinco horas – os chamados dormidores curtos, e outros que precisam de nove horas, os dormidores longos. Acordar bem disposto e ficar bem durante o dia são os sinais de que o sono foi bom. Se a qualidade foi ruim, a pessoa vai acordar cansada", diz.

De qualquer maneira, adolescentes precisam de nove horas diárias de sono, já os idosos podem dormir menos e fazer pequenos cochilos durante o dia. Crianças vão ter uma variação conforme a idade, mas na faixa dos sete anos é preciso dormir até 10 horas.

Luminosidade, barulhos e calor são alguns dos fatores que podem atrapalhar uma boa noite de sono. Doenças como asma, depressão, apneia do sono também são inimigas de uma noite bem dormida. "A pessoa pode não acordar, mas fica em um estado superficial, sem conseguir atingir o sono REM e dessa forma acorda cansada", afirma Palombini.

Para quem não consegue dormir o suficiente durante a semana e busca recuperar o tempo perdido aos sábados e domingos, a médica avisa que embora a pessoa consiga descansar, o sono não pode ser recuperado totalmente, por isso o ideal é se programar para dormir o suficiente a cada noite.

Eletrônicos
Um dos grandes vilões modernos do sono são os aparelhos eletrônicos. Palombini explica que a luz branca e a luz azul atrapalham o processo e por isso alguns aparelhos celulares já contam com um filtro. Embora isso ajude, ela ressalta que de nada adianta se a atividade realizada for estimulante.

"É preciso diminuir a atividade do cérebro para dormir bem. Nossa recomendação é que 45 minutos antes de dormir a pessoa diminua a luz, desligue os eletrônicos e faça uma leitura leve ou algo assim. Muitas pessoas que têm dificuldade para dormir ensinaram o cérebro para isso, digo que é preciso paciência para mudar o sono. É necessário criar um ritual para dormir e ter horários regulares, quanto mais estáveis, melhor", ensina. Outra dica é não levar os problemas para o quarto e não ir para a cama sem sono.

Receitas populares
Há quem diga que leite morno e chá de camomila sejam ajudantes de uma boa noite de sono. De acordo com a médica, não há grande comprovação científica, mas tudo que acalma pode ajudar. Já fitoterápicos como camomila e passiflora podem sim induzir o sono. "Já a melatonina regula o ritmo circadiano, mas para insônia não é considerado 100% eficaz, embora funcione para algumas pessoas."

Os melhores amigos do sono

Para dormir bem e acordar renovado no dia seguinte, a qualidade do colchão e do travesseiro é fundamental. Com tantas marcas e modelos à disposição, decidir qual deve ser comprado não é tarefa fácil, mas a solução não é complicada: basta experimentar.

Embora pareça estranho se deitar no meio de uma loja, essa é a melhor forma de escolher os produtos adequados. Fisioterapeuta especializada em RPG, Camila Pelegrin Figueiredo explica que tanto o colchão quanto o travesseiro devem acomodar o corpo com conforto e deixar a coluna alinhada.

"O colchão não pode ser muito duro, nem ceder muito. O material pode ser espuma ou molas, cada um vai experimentar e ver o que acha melhor. No caso das espumas há diferentes densidades, que devem ser escolhidas conforme o peso e a altura. Já no caso das molas o melhor é que sejam ensacadas, assim, quando uma pessoa se mexe não atrapalha quem está ao lado. Sobre os colchões especiais, com diferentes tecnologias, algumas pessoas relatam benefícios, mas não há grandes comprovações científicas", explica.

É importante frisar que a posição correta para dormir é de lado, usando dois travesseiros. "Um deles deve preencher o espaço do pescoço, de forma que este fique reto e outro, mais fino, deve ser usado entre os joelhos. Para quem quiser dormir de barriga para cima, vale o mesmo raciocínio, o travesseiro deve ser fino, preencher o espaço do pescoço e não ser muito firme nem ceder demais", diz Figueiredo.

Para quem quiser usar os chamados travesseiros corporais, a dica é se atentar para a altura do mesmo. Se for muito alto irá causar uma rotação no quadril, já que geralmente a pessoa mantém uma perna estendida e outra sobre esse travesseiro.

"Quem tiver alguma patologia deve buscar orientações de um ortopedista ou fisioterapeuta, que irá recomendar o colchão e o travesseiro mais adequados em cada caso."

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