“Ter filho não é um fardo, mas uma motivação, inclusive profissionalmente”, afirma Henrique Gambaro, pai de Ana Carolina
“Ter filho não é um fardo, mas uma motivação, inclusive profissionalmente”, afirma Henrique Gambaro, pai de Ana Carolina | Foto: Arquivo Pessoal

Se antes o homem era responsável pelo sustento da casa, hoje ele divide a tarefa e assume outras. O desafio é equilibrar essas duas pontas. Enquanto se busca ser um pai ativo na educação dos filhos, há também a preocupação em garantir um futuro melhor para eles. Nessa transição de consciência, fica a discussão de como conciliar produtividade e paternidade sem prejuízos em ambas as partes.

Com a inserção da mulher no mercado de trabalho, o homem sai aos poucos da condição de único provedor da casa. Esse é um dos aspectos da mudança de visão sobre a paternidade apontados por Henrique Gambaro, desenvolvedor humano e pai da Ana Carolina, de um ano e sete meses. “Precisamos ver a situação e cultura, ética e moral da sociedade para entender. Esse é um dos pontos que vai alterando os costumes e a maneira de se ver”, afirma.

Outro ponto é a ideia de qualidade de vida. “Existe esse movimento dentro do mercado de trabalho, pessoas rejeitando promoção na carreira, porque sabem que teriam mais trabalho e menos tempo em casa com os filhos”, acrescenta. O homem assume novos papéis, percebe que a presença dele na formação do filho é tão importante quanto trazer o sustento.

Nesse processo, se as mães entram para o mercado de trabalho, os pais se inserem nas atividades do lar. “Hoje encontramos pais e mães que dividem a conta e o trabalho tranquilamente e isso é muito bacana, porque mostra o aumento da concepção do pai de família: 'nós temos um filho e temos que dar conta disso juntos'”, explica. Ao mesmo tempo, há pais que oferecem tempo, mas não atenção. “São muitos os que estão presentes no dia a dia, mas estão respondendo e-mail, mandando mensagem e isso não é a mesma coisa. Não é questão de quantidade, mas de qualidade”, afirma.

EMPRESA

Conforme a consciência do papel paterno aumenta, torna-se mais comum a discussão da educação dos filhos entre os homens, inclusive no trabalho. “Hoje existem empresas que dão apoio psicológico aos pais para que ele absorva essa nova situação de maneira menos dolorida e trazer tranquilidade”, aponta Gambaro, que acrescenta que algumas oferecem a extensão da licença-paternidade para 30 dias.

No entanto, a discussão ainda é nova dentro do ambiente corporativo. Sair para levar o filho ao médico, participar de reuniões escolares, se ausentar em questão de doenças ainda exige diálogo para expandir a compreensão sobre a paternidade. “As próprias empresas estão enxergando que permitir e incentivar esses pais a participarem dessas atividades aumenta o comprometimento do colaborador com a organização, pois ele entende que o trabalho não o está afastando da família”, afirma.

ADAPTAÇÃO

O desenvolvedor afirma que assumir esse novo papel não depende de desacelerar, mas de encontrar novas formas de fazer. “Continuamos em um mundo capitalista, temos nossos compromissos e não podemos diminuir, desacelerar, o que podemos é encontrar novas formas de fazer e nos adaptar”, argumenta. Gambaro se tornou pai da Ana Carolina e vivencia este processo. “Eu continuo tendo que entregar as mesmas coisas, meu dia continua com 24 horas, então tenho que me reorganizar, porque quando chega uma criança em casa, existe uma nova forma de se enxergar neste mundo”, aponta.

Também entende que nem todos têm a oportunidade de escolher seu método de trabalho. “Indico que mais importante do que estar o tempo todo com o filho, é ter qualidade. Que seja uma hora por dia ou só nos fins de semana, como nos casos daqueles que precisam viajar ou são divorciados, fazer com que esses momentos sejam os melhores da vida dessa criança”, defende.

Para ele, os resultados desse tempo de qualidade não refletem apenas no relacionamento e educação do filho, mas apontam também para a própria saúde mental, gerando benefícios para si próprio. “Ter filho não é um fardo, mas uma motivação, inclusive profissionalmente. É ser um exemplo de pai, de ética, de moral, de ser um bom espelho para seu filho”, defende.

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