PARAÍSO PARTICULAR
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de fevereiro de 2018
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Coloridos e com movimentos suaves, os peixes nos ajudam a relaxar e a desligar da rotina. Há quem invista em aquários de diversos tamanhos e tipos, mas não é apenas nesses pequenos objetos de vidro que podemos conviver com esses animais. Lagos e piscinas naturais são alternativas muito bonitas e que com certeza valorizam muito o imóvel, além de propiciar um contato mais próximo com os peixes.
É possível nadar com os animais tanto nos lagos quanto nas piscinas, que se diferenciam por geralmente serem um pouco mais fundas. Ambos precisam dos mesmos cuidados para manter o ecossistema funcionando, com a água limpa e os peixes saudáveis. Ao contrário das piscinas comuns, não é permitido usar água clorada. Um sistema de filtragem e a utilização de ozônio, além dos próprios peixes, mantém a água cristalina e em condições de uso.
Com 18 anos de experiência no mercado, Guy Retz Godoy dos Santos, proprietário e diretor técnico da Ecosys, explica que existem os peixes ornamentais e os peixes funcionais. "O cascudo, por exemplo, limpa as pedras e temos aqueles que ajudam a limpar o fundo, levantando a sujeira que irá para o filtro. Por questões sanitárias, a legislação brasileira exige que piscinas naturais tenham peixes, caso contrário, é necessário acrescentar cloro. Quem não quiser esse tipo de peixe não há problema, só que terá que executar o serviço de limpeza que o peixe faria", destaca.
Hugo Pires, responsável pelo setor de marketing da Natural Lagos, conta que as piscinas podem ser tanto de água doce quanto salgada, incluindo corais e outros animais marinhos. No caso da segunda opção, é preciso garantir que não haja contaminação com a água da chuva e que a temperatura se mantenha estável e controlada, por isso a recomendação é fazer em locais fechados.




Estrutura
Tanto para a construção de lagos quanto de piscinas naturais é preciso fazer a correta impermeabilização do solo, com o uso de uma manta específica. Após concluída essa etapa, é colocada areia no fundo, e depois pedras e plantas para o paisagismo, além dos peixes. Equipamentos como filtros biológicos, esterilizadores ultravioleta e ozonizadores vão garantir a qualidade da água e promover a saúde dos animais.
Santos destaca que no caso de as bombas d´água ficarem submersas, a indicação é para o uso de voltagem mais baixa, como 12 ou 24 volts, por causa da energia. Já se a bomba for externa, não há problemas. Já nos esterilizadores ultravioleta, o ideal é que tenham carcaça em metal para serem aterrados. "É preciso buscar sempre produtos com certificação dos órgãos competentes, verificar a autorização do Ibama e de lavra, e ter cuidado com as garantias, colocando tudo em contrato, inclusive detalhes de balneabilidade e cristalinidade da água", recomenda.
Cores e estampas
Entre os peixes mais utilizados para lagos e piscinas naturais estão as carpas Nishikigoi. Segundo Hugo Pires, da Natural Lagos, esses animais foram criados a partir do cruzamento de diferentes exemplares, com o objetivo de criar peixes coloridos e com diferentes estampas. "Existem mais de 20 variedades de carpas, que podem custar entre R$ 8 e R$ 3 mil cada exemplar. As carpas são animais dóceis e exigem pouca manutenção, podendo viver até 40 anos. Os proprietários podem misturar carpas de diferentes estampas, mas não recomendamos misturar com peixes de outras espécies, já que alguns podem estressar as carpas", diz.

O maior cuidado deve ser na hora da inserção de novos peixes, para que não haja risco deste animal novo trazer doenças para os outros, por isso a importância de verificar a procedência do criador. Além delas, há quem goste de piscinas com os chamados peixes carnívoros, como as arraias e tucunarés ou ainda com peixes marinhos.
Guy Retz Godoy dos Santos, da Ecosys, afirma que também é comum os clientes solicitarem peixes tropicais, pertencentes à bacia hidrográfica da região em que se encontra o projeto. "A única recomendação é que não se use tilápia, pois é um peixe agressivo, que come os filhotes de outros peixes e as plantas."
Um dos cuidados que os peixes exigem é ração de boa qualidade e diferente daquela ofertada para peixes de corte, para evitar a produção de matéria orgânica em excesso, o que pode modificar as características da água. Os proprietários podem optar por alimentadores automáticos, mas Pires lembra que um dos prazeres desse tipo de projeto é a interação com os animais.
Santos afirma que por se alimentarem de algas e insetos, em pequenos períodos de tempo é possível não oferecer ração aos peixes. "Existe um ecossistema fora que mantém o lago funcionando. Período pequeno sem alimentação não é problema e ração demais aumenta a quantidade de algas."
Outro ponto que deve ser observado é filtro solar usado pelos banhistas, que deve ser livre de óleo, segundo Santos, para não causar danos aos animais e ao ecossistema.


