Para viver mais e bem
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sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Walquiria Vieira<br>Reportagem Local 
O crescimento da população idosa é um fato. E para a médica geriatra e professora Lindsey Mitie Nakakogue, de Londrina, o estudo e a atualização sobre o assunto estão inseridos em seu cotidiano naturalmente. "A atualização médica pode ocorrer de diversas formas. A informação está acessível a qualquer pessoa, mas é necessário buscar fontes confiáveis. Nós nos formamos médicos após seis anos de faculdade, mas para se tornar geriatra, estudamos mais quatro de residência", observa. "Como eu trabalho também como professora, essa atividade me estimula a estudar, a fazer mestrado, doutorado e a não parar nunca. Congressos e cursos também são importantes porque é onde trocamos ideias com experts da nossa especialidade. Ler artigos em revistas confiáveis também te leva a aprender com o tempo, assim como participar de sociedades médicas ajuda muito a ampliar o network", reconhece.

Sobre sua área específica de atuação, a médica aponta para a necessidade do geriatra entender, no todo, o quão ímpar é o segmento. "O idoso não é igual ao adulto jovem. Portanto, todo profissional da saúde deve conhecer sobre o processo de envelhecimento normal, que chamamos de senescência e sobre o que chamamos de senilidade, que é o envelhecimento com doenças que interferem no dia a dia do indivíduo. Estamos vivendo mais e queremos viver com saúde, a informação se renova a cada dia sobre esse assunto, então manter-se atualizado é fundamental", atesta.
LONGEVIDADE
Em relação à longevidade de seus pacientes, Nakakogue avalia como a Medicina pode contribuir neste sentido. "O avanço da Medicina fez com que não morressem mais jovens de doenças infecciosas, apontando procedimentos e medicações. E a queda do número de tabagistas reduziu a incidência de doenças cardiovasculares, como infarto", explica. Por outro lado, destaca, com o aumento da expectativa de vida também crescem os problemas neurodegenerativos e os cânceres.
Neste contexto, a doença de Alzheimer merece atenção da geriatria. "O aumento dos casos de Alzheimer nos impulsiona a conhecer mais sobre esta doença, a fazer o diagnóstico o mais breve possível, a conhecer seus estágios e toda a sua repercussão familiar. Cada indivíduo com Alzheimer tem suas particularidades, e cada família do paciente tem seu medo, sua organização, sua expectativa. O médico precisa estar disposto a ouvir em primeiro lugar. Passado o primeiro impacto do diagnóstico da doença é possível, sim, que o paciente e a sua família tenham qualidade de vida por anos", detalha.
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SAÚDE EM DIA
Paralelamente à preocupação com a atualização profissional, Nakakogue não descuida da própria saúde. Ela conta que a organização é o seu segredo para dar conta da vida profissional e familiar. "Cuido de mim em primeiro lugar praticando atividade física pelo menos três vezes por semana. Meu horário de sono é sagrado, me alimento bem, vou à missa e assim estou bem para cuidar de outras pessoas", detalha.
Mas também pondera sobre a necessidade de fazer escolhas. "Costumo ir a congressos realmente importantes, como a Conferência Internacional de Alzheimer que foi em Chicago, nos Estados Unidos, em julho deste ano", dá o exemplo. "É muito bom saber que estamos fazendo o melhor e o que os médicos no mundo todo também fazem", diz. Aos que desejam ingressar na área ou serem mais equilibrados no que amam fazer, o recado da geriatra é: "Cuide-se em primeiro lugar, mantenha-se atualizado, cultive as boas amizades e a família, seja um bom ouvinte, importe- se com a dor do outro e tudo ficará bem."


