Papel do pai
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de agosto de 2019
Laís Taine - Grupo Folha 
Apesar de tantas mudanças na família atual, certas condições para o desenvolvimento saudável das crianças precisam ser mantidas ou resgatadas.
Sabe-se que se um bebê ficar sem alimento morre; se ficar sem afeto também pode definhar e morrer ou sobreviver fisicamente com graves patologias psíquicas.
A ideia básica é que os pais propiciem as condições necessárias para que o bebê “continue a ser”, ou seja, continue a se desenvolver de maneira adequada e gradativa. Após o nascimento, a mulher precisa ficar protegida de estímulos que não sejam provenientes de seu bebê, pois é necessário que a mãe estabeleça um vínculo intenso com sua cria, num nível muito profundo e mesmo primitivo.
Mas, para poder realizar isso de maneira adequada, essa mãe necessita de ajuda e aí entra a Função Paterna.
“Então, esta é a nossa hipótese, a função materna está em estrita dependência da função paterna, e se a função materna fracassa, como é o caso na psicose, este fracasso dá-se em função de um fracasso da função paterna.” (LANG, 2003, p. 18).
O bebê é totalmente dependente e, devido a isso, precisa de alguém totalmente disponível. Mas como a mãe pode fazer isso? Conseguirá apenas se for apoiada, ajudada, amparada nesse trabalho e é o pai, ou alguém que possa realizar a Função Paterna, que deve garantir tal apoio nesse momento. Apoiar refere-se tanto ao aspecto material mas, principalmente, ao aspecto afetivo.
“Neste momento em que esta dupla mãe-bebê está unida pela uma simbiose inicial da vida humana, a função do pai real presente nesta relação é de fazer a maternagem dessa unidade mãe-bebê, dar 'colo' para que mãe e bebê desenvolvam-se afetivamente protegidos. O pai, neste momento, ativa e exerce uma função materna da dupla.” (OUTEIRAL& CEREZER, 2003, p. 53)
Durante o período gestacional, o útero (masculino) envolve a placenta (feminina) e o bebê, garantindo um invólucro protetor e acolhedor do par placenta/bebê. Esse é o modelo para a Função Paterna no início: proteger a dupla mãe/bebê dos estímulos e interferências do mundo externo para que possam estabelecer um vínculo muito profundo e intenso para compensar a saída da criança do ventre materno e o rompimento do cordão umbilical. “Num outro nível, o pai ajuda a mãe a sentir-se bem em seu corpo e feliz em seu espírito: são palavras de Winnicott. É necessário certo grau de felicidade para ser uma boa mãe, e essa felicidade depende do pai.“(LANG, 2003, p. 15).
O papel do pai é de guardião da mãe e do filho com relação ao mundo externo e é imprescindível que ele entenda essa função como fundamental para seu bebê.
O pai existe pela apresentação da mãe. Isso possibilita que, mesmo se a criança não puder conviver com seu pai, devido à morte, separação, períodos prolongados de ausência por causa do trabalho ou outra situação qualquer, a mãe pode fazê-lo presente em sua fala. O pai é o representante do mundo externo, esse externo refere-se, inicialmente, da relação exclusivista entre mãe e bebê. Ele é o terceiro incluído que trará para a criança a noção da existência de um mundo de relacionamentos fora do par mãe/bebê. Uma das mais importantes funções de um pai é tornar os filhos capazes de viver em sociedade, cientes de seus direitos e responsabilidades, de maneira digna e legítima. O pai introduz a criança no social e o social na criança. A presença do pai (ou de quem realize a sua Função) complementa o desenvolvimento da personalidade da criança. De início, a mãe proporciona a noção do ser, já o pai trará a noção do fazer.
Fernando B. Zanluchi, psicólogo, mestre em educação e autor do livro “Casais, filhos e Cia.”


