'Pais, sejam os youtubers dos seus filhos!'
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sexta-feira, 05 de outubro de 2018
Walquiria Vieira<br>Reportagem Local 
Brincadeira é coisa séria. Não por acaso, profissionais estudam, explicam e orientam sobre atividades infantis, suas transformações, resgate e importância em cada fase da vida da criança. Televisão, computador e smartphone compõem o entretenimento em diferentes fases. A psicopedagoga clínica e institucional Fernanda Passarelli esclarece como essas práticas podem ser compartilhadas de modo equilibrado e positivo e sem que se tornem armadilhas no cotidiano das famílias.
Os pais talvez não saibam, mas podem ser os maiores influenciadores dos filhos. Como? Com interesse e empolgação por eles. "Televisão, internet, celular, videogame, youtubers e demais...tudo isso foi criado para o entretenimento. As crianças gostam sim, mas com toda certeza elas trocariam tudo isso por passeios no parque, soltar pipa, jogar bola, brincar na terra, no barro, tomar banho de chuva, subir em árvore...junto com os pais", diz Passarelli.
É natural. Na escola, com os vizinhos e primos, as crianças trocam informações, somam conhecimento e querem descobrir o mundo brincando. "As crianças de hoje vivem em uma realidade completamente diferente da infância que os pais tiveram, por isso é necessário esclarecer os benefícios das tecnologias e malefícios, caso não sejam bem administradas". Sobretudo pelo fato de estarem em processo de formação. "Os pais, além de educar, desempenham o papel de despertar o senso crítico nos filhos. Proibir ou reprimir um assunto desperta ainda mais interesse na criança e é por isso que sou a favor do diálogo", diz.
A psicopedagoga salienta o papel dos pais como agentes na arte de influenciar. "Considero essencial os pais mostrarem aos filhos o que eles gostavam na infância e o que gostam de fazer atualmente, isso pode e deve ser recíproco. A criança, ao mostrar para os pais o que gosta, deve ser acolhida e compreendida, porém deve sempre ser orientada quanto ao conteúdo, o que é bom ou ruim para ela." E como fazer isso? "Ao assistirem juntos com os filhos aos programas favoritos deles. Nesse momento, os adultos avaliam e dialogam com a criança sobre o conteúdo assistido e essas situações favorecem à criança a discussão de ideias e formação de opinião."
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De acordo com a psicopedagoga, o tempo de exposição da criança, a programação e o quanto os personagens exercem influência devem ser observados."Para crianças menores de 3 anos, o tempo em frente a TV ou eletrônicos deve ser o mínimo possível. Os estímulos com objetos concretos, conversas, músicas são mais benéficos para o desenvolvimento físico e emocional da criança", ensina Passarelli. Já a partir dos 3 anos, pode haver negociação. "Por isso é importante que os pais ofereçam outros entretenimentos como: brincar junto com filho, cantar, fazer um momento de contação de histórias, jogar... Atualmente as crianças estão muito interessadas em youtubers. Eu decidi assistir alguns vídeos para entender o encantamento das crianças com os youtubers e confesso que entendi. Alguns são animados, engraçados, coloridos, falam com muita empolgação sobre jogos, brincadeiras, ou seja, tudo que a criança gosta. As expressões e os temas abordados são cativantes para as crianças e muitas vezes elas não têm isso em casa. Interessante os pais assistirem juntos com os filhos, entenderem sobre o que os youtubers estão falando e quem sabe buscar inspiração em atividades para fazer com o filho. Pais, sejam os youtubers dos filhos", dá dica.


