"Jamais me arrependo do que faço por eles, são as coisas mais queridas que eu tenho", diz o aposentado João Rosa, entre as filhas e os netos
"Jamais me arrependo do que faço por eles, são as coisas mais queridas que eu tenho", diz o aposentado João Rosa, entre as filhas e os netos | Foto: Arquivo pessoal



"Eu entrei no carro e o carro não pegava. Para quem eu liguei primeiro? Para o meu pai", conta rindo Ana Paula Rosa, 33, a primeira das três filhas de João Rosa, 55. O pai é aposentado, mas continua trabalhando fora e nas horas vagas assume a função de eletricista, pedreiro, mecânico, pintor e está em qualquer situação de emergência que as filhas precisarem. É o verdadeiro pai para toda obra.

Não há tarefa impossível para ele. A casa que a mais velha mora foi reformada por ele. "Meu pai assentou piso, azulejo, pintou parede, ergueu muro, instalou chuveiro, roça a grama para mim, ele faz tudo, fora o que faz para os netos", orgulha-se Ana Paula.

Para além dos trabalhos manuais, João também administra as contas da família, incluindo até as duas mais velhas, que já são casadas e não moram na mesma casa. "Ele empresta dinheiro, às vezes compra alguma coisa para os netos, o cartão dele é praticamente comunitário", ri a mais velha e é interrompida pelo pai. "Ajudar financeiramente é difícil, o que eu dou é o meu nome. Eu falo para elas que não devem gastar mais do que podem pagar e isso elas aprenderam", educa.

João aprendeu sozinho a fazer trabalhos manuais e acredita que a sua educação contribuiu para isso. Hoje possui habilidades que desenvolveu com a experiência e que compartilha com generosidade. "Eu não acho ruim fazer isso por elas. As pessoas falam que eu sou bobo, que elas aproveitam, mas meu coração não é assim, o que eu puder fazer por elas eu faço, de coração", afirma com humildade.

Mas nem tudo sai bem feito. "Sou um fracasso para fazer comida, malemá (sic) faço um arroz", brinca. Embora não se incomodem, as filhas concordam rindo e valorizam o trabalho do pai. "Ele me incentivou a fazer o curso de cabeleireira, pagou as mensalidades, me levava, esperava e me trazia", revela a caçula, Alini Gabrielli, 18. "Não sei o que seria da gente sem meu pai, de verdade", acrescenta Ana Paula emocionada.

O aposentado afirma que faz por amor e que junto com a esposa consegue educar com o exemplo, pois os favores não se restringem às filhas, ele está sempre ajudando algum amigo ou vizinho. Por conta dessa atitude, sempre é chamado para fazer algum serviço. "Estou sempre fazendo um bico. Não gosto de ficar parado", conta.

A família acredita que é uma questão de educação e que nem todos fariam o que o pai faz. "Não é uma questão de geração, porque conhecemos pessoas mais jovens que fazem também. Acho que é criação mesmo, alguns são mais acomodados, talvez porque têm sempre o pai para ajudar", opina Ana Paula. "Jovens não têm muita paciência, mas se apertar eles fazem sim", afirma o pai.

João enfatiza a importância de saber fazer consertos. "Você já pensou se toda coisinha que fosse arrumar em casa tivesse que pagar?", admira-se com os custos. Com isso, tenta passar os ensinamentos da honestidade e generosidade também para os três netos. "Jamais me arrependo do que eu faço por eles, essas minhas meninas e meus netos são as coisas mais queridas que eu tenho, quero ajudá-las a ensinar os valores para os filhos delas", revela. Ana Paula se emociona com a conversa. "Hoje sou mãe e entendo que amor é esse que ele sente. Pai não podia morrer, tinha que ser eterno", finaliza.

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