Muito antes dos aparatos técnicos que ajudam os meteorologistas a fazerem a previsão do tempo, os homens do campo já buscavam interpretar os sinais da natureza para saber se o dia era propício ou não ao plantio ou colheita. O movimento das formigas ou o piado dos pássaros, círculos em volta do sol ou da lua, a cor do céu, a intensidade do vento eram formas de se tentar saber o que iria acontecer a seguir.

Trabalhando no campo desde 1951, o produtor de soja e trigo Lair Secchio conta que aprendeu a interpretar alguns desses sinais da natureza. Hoje, entretanto, apesar de ainda olhar a natureza, ele se baseia nos sites de meteorologia. "Antes a natureza dava sinais, até nosso corpo dava sinais. Eles continuam quase os mesmos, mas não dá para confiar, essas mudanças no mundo atrapalharam o clima", diz ele.

Entre esses sinais ensinados de geração a geração no passado, Secchio enumera alguns. "Na semana passada, depois de 55 dias de estiagem, a saracura cantou, o que seria um sinal de chuva. E realmente choveu. Antigamente também se dizia que quando a chuva se aproximava, o vento mudava rapidamente de direção. Quem percebia isso eram os abanadores de café. Eles abanavam os grãos de costas para o vento, por causa da palha. Quando a chuva estava próxima o vento mudava sempre de direção. Outra coisa que a gente observava era a vazão dos córregos. Aqui mesmo na semana passada tínhamos quatro polegadas de água e antes da chuva, diminuiu. A minha esposa também comenta sobre as cicatrizes de cirurgia coçarem ou doerem."

Outro sinal de chuva, segundo ele, seriam círculos que aparecem em volta do sol ou da lua, assim como redemoinhos. O céu mais avermelhado na hora do pôr do sol seria indicação de que o céu estaria "limpando" e, consequentemente, as temperaturas deveriam cair. "Mas na semana passada o dia amanheceu frio e o céu azul, e acabou chovendo. O sinal visual enganou a gente, embora a meteorologia já dizia que ia chover. Hoje as coisas não se confirmam como antigamente", aponta.

Além de ter mais certeza sobre os eventos naturais, o produtor ressalta que outra vantagem dos aparelhos meteorológicos é indicarem com bastante antecedência o comportamento do clima. "É claro que não é 100% de certeza, mas ajuda bastante saber o que pode acontecer dentro de três meses", finaliza.

Paulo Barbieri, meteorologista do Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná), afirma que não há correlação entre os sinais tradicionalmente observados e as ocorrências climáticas, embora algumas vezes elas possam ser acertadas. "Essa leitura popular é comum. Já trabalhei em Fortaleza e lá existem os profetas da chuva. Eles usam diferentes indicativos de chuva e há uma grande concorrência entre eles. Muitas vezes, inclusive, eles divergem entre si, mas de vez em quando acertam", afirma.

Barbieri explica que quando se trata de chuva é mais fácil observar sua ocorrência, já que quando a frente fria – responsável por trazer a chuva -, se aproxima, venta mais forte, porém, não há mudanças repentinas de direção desse vento. Outras ocorrências, como as geadas, são mais difíceis de serem previstas sem os equipamentos. "Há muitos fatores envolvidos", argumenta.

De acordo com o especialista, os halos – ou círculos em volta do sol e da lua - não são indicativos de chuva, assim como o céu avermelhado não é certeza de temperaturas mais baixas. "Esse avermelhado ocorre durante o pôr do sol, por causa da presença de partículas no céu que alteram a cor. São os raios solares que mostram essa cor vermelha", explica.

Ele explica também que quando entra alguma massa de ar polar, a tendência é que o tempo fique mais estável, porém, pode haver alterações. "Agosto é mesmo um mês mais frio e com tempo mais estável, porém passou a frente fria, veio umidade do Norte do país, aí esfriou e choveu, aumentou a instabilidade", diz.

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