'Os homens tinham no mínimo um smoking e um meio-fraque'

Com 71 anos de profissão, o alfaiate José Gonçalves de Oliveira, mais conhecido como Jomar uma junção do seu nome com o da esposa Maria -, já perdeu as contas de quantas peças de roupa confeccionou e também para que lugares do mundo elas já foram. Em Londrina há 60 anos, completados no último domingo, 11 de março, Jomar diz que a cidade já chegou a ter mais de 100 alfaiates, vindos de todas as partes do Brasil e até do mundo, mas hoje a profissão está em extinção, já que poucos jovens têm interesse em aprender, segundo ele. Jomar cita a Avenida Paraná e as ruas Sergipe e Duque de Caxias como redutos desses profissionais antigamente.
"Os homens tinham no mínimo um smoking e um meio-fraque, além de uma meia dúzia de ternos. Havia baile praticamente todos os meses, as pessoas iam bem vestidas. Hoje o homem não se veste tão bem como antes, é natural todo mundo vestir jeans", diz.
Jomar conta que hoje seus clientes são formados majoritariamente por advogados, médicos e dentistas, além de noivos, que procuram por alguém que confeccione as peças, entre tantos outros que querem apenas alugar ou ajustar a roupa. "Os rapazes são mais raros de vir, geralmente chegam aqui por indicação dos pais, por causa do caimento da peça confeccionada sob medida. Principalmente os noivos, que ficam em pé no altar e são vistos de frente e de costas. Os formandos querem apenas alugar, dizem que mudam de roupa constantemente, não querem investir", explica o profissional.
Justamente por esse interesse da clientela que Jomar passou a oferecer as peças para locação. Foi uma forma de fazer o negócio sobreviver, já que 70% dos clientes o procuram para isso, segundo ele. Com tanto anos de experiência, o alfaiate diz que consegue fazer um terno completo paletó, camisa e colete - em apenas três dias, incluindo os detalhes que precisam ser costurados à mão para um bom acabamento, e costuma atender um pedido por semana.
"Além das medidas, levamos em consideração também o formato de corpo de cada um, se é mais reto, mais encurvado, é tudo ajustado. Infelizmente hoje as pessoas buscam preço, antes pagavam pelo acabamento das peças. É raro um cliente que chega e fala sobre isso, sabe reconhecer uma peça bem feita. Hoje as pessoas aprendem a costurar para a indústria, as máquinas fazem tudo." (E.G)





