Organizados para vender e fazer amigos
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sábado, 05 de janeiro de 2019
Lais Taine<br>Reportagem Local 

Algumas pessoas decidem viver no campo em busca de melhor qualidade de vida e de conexão com a natureza. Dessa relação, vem a generosidade da terra em retornar uma produção geralmente maior do que se consome. Foi pensando nessa sobra e na produção de pequenos agricultores da região que proprietários das chácaras da zona leste de Londrina uniram-se para implantar a Feira do Limoeiro. A proposta é divulgar o trabalho de pequenos agricultores, gerar renda extra e oferecer itens frescos aos compradores.
A iniciativa de botar a mão na massa e criar uma forma de escoar os produtos veio dos próprios moradores. A feira teve início em maio do último ano e ultrapassou a relação comercial ao conectar vizinhos. "Antes ninguém se conhecia. Várias pessoas trabalham com outras coisas fora daqui e produzem por prazer. Outros dependem da produção. Nós percebemos que havia produto, mas não onde vender, então, resolvemos montar a feira com a permissão de usar o espaço do Serafim", explica Maurício Eduardo Trovó, 52, um dos coordenadores da feira.

Para que a ideia funcione, toda a decisão vem do coletivo, permitindo que alguns coordenem as ações para viabilizar a feira, que há dois meses ganhou um barracão que protege do mau tempo. A proposta só deu certo porque Serafim Gonçalves Marques, 72, dono de um armazém no local, permitiu que os moradores se reunissem em sua propriedade, na beira da Estrada do Limoeiro. "Moro aqui há 17 anos, o povo vinha e perguntava sobre uma feira que teve há muito tempo atrás e pedia alguns itens que eu não tinha. Eu conheço o pessoal que mora aqui, então eu disse para virem vender seus produtos", conta com generosidade.
Com uma visão para o coletivo, Marques acredita que a ação dos feirantes não atrapalha seu comércio, pelo contrário. "Tudo que é aglomerado, é melhor. Sozinho ninguém faz nada. Eu não sou invejoso", brinca. O dono do armazém construiu o barracão ao lado do seu comércio e o grupo rateia o aluguel do espaço por um valor simbólico.
A feira ocorre todos os domingos, das 8h às 13h, e conta com 29 boxes que vendem embutidos e defumados, plantas aromáticas e medicinais, flores, queijos e leites frescos, geleias, compotas, licores, mel, ovo e galinha caipiras, artesanatos, pães, vinhos, uvas e muitos outros itens produzidos pelos moradores.
"Muita coisa é produzida sem agrotóxico, mas não usamos o termo orgânico, porque não temos o selo e a estrutura necessária, porque aqui, a maioria é de agricultura familiar", explica Paulo Rodrigo de Souza, 38, que é marceneiro e vende artesanato junto com a esposa, Kelly Nagahara, 41.
A regra principal para usar o espaço é de que o feirante seja morador ou proprietário daquela região e que sejam oferecidos apenas itens de produção própria. Atualmente, a Feira do Limoeiro inclui 20 produtores da Fazenda da Nata, Itaúna, Vale Fértil e Limoeiro e a união gera benefícios para quem vende, vive ou compra na comunidade.


