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sábado, 17 de fevereiro de 2018
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 

Não só nas estampas os peixes fazem parte do vestuário. Embora com presença ainda incipiente no Brasil, o couro dos animais tem sido usado há alguns anos para a produção de roupas, sapatos, bolsas e outros acessórios. Trabalhando com o material desde 2010, a empresária carioca Lozia Filip conta que os produtos fazem sucesso no exterior, mas ainda enfrentam a resistência dos brasileiros. Além de peças para sua própria marca By Filip, ela também produz para outras grifes.
"A aceitação no mercado interno ainda é baixa e acredito que é por ignorância mesmo. O couro de peixe é tão resistente quanto o couro de boi. Falta divulgação. Quando fui expor em Milão fizemos muito sucesso", afirma.
Ela conta que se interessou pelo assunto quando conheceu alguns projetos falando de sustentabilidade e passou a investir nos produtos feitos com o material. O processo para curtimento e a execução dos produtos são feitos de forma artesanal, o que reflete no valor final das peças.

"O curtimento é feito à base de água e são poucas as fábricas que fazem isso. Uma bolsa feita com o couro do pirarucu custa entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, enquanto custaria em torno de R$ 600 se fosse feita com couro bovino. Já o valor para o produto feito em couro de tilápia fica entre R$ 200 e R$ 300. Tudo vai depender do tipo do material", explica.
Conforme a origem do peixe o couro pode ser mais ou menos resistente, sendo que peixes como pirarucu e pintado têm maior resistência e a tilápia, menor. "Do peixe se aproveita tudo e o que fazemos é transformar lixo em luxo. Tem muito produtor (de peixe) que joga dinheiro no lixo ao não aproveitar esse material."

Além do uso em roupas e calçados, ela conta que a Peugeot já apresentou um carro com os bancos forrados em couro de pirarucu e volante com couro de salmão. É do couro do salmão também um revestimento para paredes, semelhante ao papel texturizado.


