OLHAR MAIS - Comida boa e farta
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de julho de 2017
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Erva típica da região norte do Brasil, mais precisamente do Pará, o jambu é utilizado em diversos pratos, como o pato no tucupi e o tacacá. Graças a uma substância presente nas folhas e flores, o jambu traz sensação de formigamento nos lábios e na língua, devido à ação anestésica.
Além de ingrediente de pratos diversos, a planta também inspira músicas, como a "Jamburana", de Dona Onete, uma simpática senhorinha. Pois foram inspiradas pelo refrão "o jambu treme" que as amigas Letícia Pires Küster, psicóloga, e Carolina Fraga Spisla, cozinheira, batizaram o evento "Casa do Jambu Treme", uma reunião para se comer bem, realizada a cada dois meses, aproximadamente.
"Tem gente que diz que é evento gastronômico, mas evitamos gourmetizações. Nosso objetivo é reunir pessoas que possam comer bem, à vontade, mesmo que nem todos se conheçam, juntos em volta da mesa, como nos tradicionais almoços de domingo", diz Küster.
As amigas criaram o evento há cerca de dois anos e meio. No cardápio, pratos típicos da culinária brasileira, mesclados com pratos típicos das famílias de ambas e até criações e releituras. Churrasco, feijoada, escondidinho, barreado, pirão, farofa de taioba, entre outros, fazem parte do cardápio.
Tudo começou de maneira informal, sem finalidade de lucro e continua assim até hoje. Spisla conta que alguns anos atrás foi morar em Belo Horizonte e acabou trabalhando em uma cozinha. Küster também gostava de cozinhar. Depois da volta da amiga, ambas criaram o evento, sempre com o foco na culinária brasileira, embora muitas vezes as origens dos pratos não sejam tão claras.
Quando a comida pede ingredientes típicos, nem sempre disponíveis em Londrina, as amigas contam com a colaboração de outros amigos, que viajam e trazem.
Cada edição tem um cardápio elaborado pelas amigas, que inventam novos nomes, de forma que os convidados não saibam com antecedência exatamente o que será servido. O local também é itinerante, oferecido por amigos ou até desconhecidos.
"Buscamos sempre locais com muito verde, para que as pessoas possam se sentar na grama, deitar, descansar depois do almoço. É comum o pessoal acabar dormindo, aí acorda, come novamente. Já fizemos inclusive na casa de quem não conhecíamos. E a cada edição mudam os convidados, tem quem vá em todas, tem gente nova também. Limitamos entre 25 e 30 pessoas porque nosso objetivo é que todos possam se conhecer", afirma Spisla.
Em comum, além do carinho das amigas, todo encontro conta com a pinga com jambu. "Nós ganhamos umas flores de jambu, colocamos na pinga para aromatizar e em toda edição servimos um copinho. Já virou tradição", destaca Küster.


