"Gosto de criar minhas peças, me inspiro em outras e vou fazendo testes", diz Laura Lopes, que aprendeu o crochê em família e se especializou na técnica do "amigurumi"
"Gosto de criar minhas peças, me inspiro em outras e vou fazendo testes", diz Laura Lopes, que aprendeu o crochê em família e se especializou na técnica do "amigurumi" | Foto: Saulo Ohara



A técnica delicada de tecer desenhos e peças usando linha e agulha foi transmitida de geração em geração na casa da design de crochê Laura Lopes. Descendente de italianos, ela conta que os avós de sua mãe vieram da Itália e ainda no navio teciam as peças que seriam usadas na nova casa em terras brasileiras. "Eram toalhas, cortinas, tapetes, tudo que a casa necessitava. Minha bisavó era muito boa no crochê, já minha avó fazia coisas mais simples, como os bicos em toalhas e panos de prato. O crochê ocupava o tempo e era útil na casa", explica.

Formada em Artes Cênicas, com licenciatura em Arte Educação, Lopes atua como gestora cultural e tem no crochê um hobby. Ela conta que desde criança já fazia roupas de boneca, tanto em tecido como em crochê. "Minha mãe fazia blusas, tapetes. É uma herança da família, que passou de geração em geração. Antigamente todas as mulheres aprendiam, depois houve uma quebra, as mulheres foram para o mercado de trabalho. Para mim o crochê é terapêutico, me desligo. Acho importante recuperar isso, o ócio criativo, desligar da tecnologia... E o crochê e outras artes manuais trazem isso para a gente", afirma.

Lopes se especializou na técnica do "amigurumi" - bichinhos e outras figuras feitas em crochê. Ela diz que aprendeu sozinha, com tutoriais na internet, e hoje tem prazer em criar as próprias peças. Mãe de um garoto de 3 anos, ela conta que as primeiras foram feitas para enfeitar o quartinho de bebê. Além de presentes para o filho, familiares e amigos, também faz polvos para doar para bebês prematuros nos hospitais.

A artesã só lamenta a pouca valorização da arte. "As pessoas não entendem que levamos horas para fazer uma peça, que tem o material e ainda o valor do nosso trabalho. Os trabalhos manuais trazem valor afetivo, de carinho. Minha relação com o crochê parte disso, de presentear de forma especial. Gosto de criar minhas peças, me inspiro em outras e vou fazendo testes até chegar no resultado que desejo", conta.

Justamente por ter o crochê como hobby, Lopes conta que raramente aceita encomendas. "Não é a minha profissão, é um lazer. Não dá para ficar doze horas seguidas fazendo crochê, dá LER (lesão por esforço repetitivo). O crochê é algo que faço à noite, espero todos irem dormir para fazer", conta.

No mês de agosto, Laura Lopes foi a responsável por uma oficina de crochê realizada no Centro Cultural Sesi/AML, onde ensinou a fazer uma bolsa de mão. "Teve todo tipo de aluno, de todas as idades. Desde quem já sabia fazer até quem não sabia nada e fez a primeira peça e agora deseja incrementar a renda, isso que é interessante."

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