O valor das peças feitas sob medida
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sexta-feira, 16 de março de 2018
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 

Ter uma roupa bonita, bem feita, com caimento perfeito, e ainda estar por dentro da moda são desejos de qualquer pessoa que goste de se vestir bem. Mandar fazer uma peça sob medida pode ser a saída em muitos casos.
"Nossos clientes mandam fazer de vestidos de festa a roupas para o dia a dia", explica a costureira Iraci Eduardo Sabino, que divide o espaço de trabalho com mais duas colegas, Laura Ohra e Iolanda Garcia Garcia. Segundo ela, quem procura uma costureira está em busca de qualidade e também exclusividade, já que, além do tecido, o cliente pode escolher até os aviamentos, como botões e outros detalhes. "Não é como ir na loja, comprar e depois encontrar outro igual na rua. Tem também pessoas que estão em busca de economia. Elas olham um modelo em lojas caras e pedem para nós copiarmos", explica.
Com 47 anos de experiência, Sabino diz que ao longo do tempo foram diminuindo as pessoas interessadas em mandar fazer roupas, principalmente por causa do valor das peças vindas da China, muito mais em conta do que a produção nacional, porém, nem sempre de boa qualidade. "É cada coisa que chega aqui para nós arrumarmos!", atesta ela.
Há também aqueles que não abrem mão de ter uma peça feita sob medida justamente porque os modelos disponíveis para venda não são adequados ao seu tipo de corpo. Como as peças se limitam a numerações específicas, quem foge do padrão pode ter problemas para encontrar algo que lhe sirva.
Outros clientes são aqueles que precisam fazer pequenos ajustes em peças já prontas, ou ainda reformar algo antigo. E não são apenas as mulheres que recorrem a essas profissionais. Sabino diz que os homens também querem peças exclusivas e de qualidade. Já para crianças a procura é pequena.
Ela diz que algumas peças podem ser feitas no mesmo dia, principalmente se não precisarem de prova. "Tem cliente que senta aqui e espera a gente costurar. Se não tiver outros pedidos na frente e for uma peça simples, fazemos na hora."

Ritual
A professora Carla Roveri conta que desde a adolescência gosta de mandar fazer suas roupas, daquelas usadas para o trabalho até as de festa, e considera todo o processo um ritual. "É igual a uma viagem, tem todo o planejamento: escolher o modelo, o tecido, a cor, os aviamentos, fazer a prova e ver a roupa pronta", explica, acrescentando ainda que, caso o resultado final não agrade, dependendo da costureira é possível fazer alterações.
Ela diz que quando adolescente se arriscava a desenhar alguns modelos, mas hoje busca na internet e faz pequenas alterações. Ela até foi fazer aulas de corte e costura, produziu algumas peças, porém acredita que não tenha toda a habilidade necessária.
"As pessoas atualmente buscam praticidade, querem ir na loja, provar e comprar. Mas gosto de escolher a renda, os botões. Curto essa espera, mas é preciso ter paciência. Tem quem ache chato essa espera e ter que ir provar."
Roveri destaca que embora a roupa feita pela costureira seja algumas vezes mais cara, ainda assim compensa, já que o acabamento é melhor, a peça irá durar mais tempo e ainda será exclusiva.
"Já imaginou chegar em uma festa e encontrar um vestido igual? É claro que nem toda costureira tem um acabamento perfeito, mas é só saber procurar. E o valor nem sempre é mais alto. Já mandei reproduzir uma camiseta que eu adoro porque tem uma modelagem ótima, escolhi as malhas e o valor ainda ficou mais em conta do que se tivesse comprado pronta. O que as pessoas precisam entender é que é um trabalho artesanal. Na ponta do lápis muitas vezes acaba sendo a mesma coisa", garante.


