O que vamos deixar de herança?
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sexta-feira, 09 de setembro de 2016
Karla Matida<br>Reportagem Local 

"Você lega o que você é, e o que você é herdou também", observa o jornalista e documentarista Fábio Cavazotti.
De família pioneira londrinense os avós e o pai desembarcaram por aqui em 1937 , ele cresceu ouvindo as histórias familiares. "Minha avó tinha 17 anos quando chegou em Londrina e viu a cidade passar dos três mil habitantes para cerca de 500 mil em cerca de 70 anos", explica.
Apesar de não ter se tornado médico como o pai, herdou dele o gosto por conhecer as coisas. "Ele tinha uma personalidade muito densa e de cultura variada, gostava de astronomia e poesia, de planta e música clássica. Durante uns 20, 30 anos escreveu crônicas para o jornal", conta. "Eu acabei virando jornalista e recentemente estou trazendo a questão do jornalismo para essa história, ligando essas duas coisas na minha vida, a minha história e o contar a história", explica.
No final do ano passado, o jornalista lançou "Ouro Verde Memórias da cidade do café", documentário dirigido por ele e que mostra imagens raras dos primeiros anos de Londrina e traz depoimentos sobre a memória cafeeira. "O documentário do café foi muito marcante para mim. Ao mesmo tempo que fui pesquisando a história da cidade fui conhecendo mais de mim mesmo e da minha família", diz.
"Ao pensar em herança a primeira coisa que vem são as raízes. Então a questão das raízes é muito forte para mim. A raiz do meu pai, a raiz familiar, a raiz da cidade, isso tudo está muito misturado", define. Pai de dois meninos, Cavazotti diz que os filhos "vão poder escolher tudo o que eles quiserem fazer da vida deles, mas eu vejo que naturalmente algumas coisas já vão ser transmitidas porque de alguma forma eu sou a raiz deles".
Segundo o jornalista, uma frase exemplifica bem como encara a paternidade. "O que de melhor podemos deixar para o filho é ajudá-lo a criar suas raízes e suas asas. É um pouco do que meus pais fizeram comigo, me passaram as raízes que me permitiram criar minhas asas", explica.
Mesmo antes de ser pai e de pensar nos documentários, Cavazotti já promovia um legado para as próximas gerações. "A questão do Observatório é um trabalho em prol da cidade, da melhoria dela", explica. Criado em 2009, o Observatório de Gestão Pública de Londrina, do qual o jornalista é um dos idealizadores, tem como missão atuar no controle e otimização da aplicação dos recursos públicos londrinenses. O próximo passo? "Agora estou preparando um novo projeto, pra fazer um novo documentário provavelmente sobre a história da fotografia em Londrina que é uma coisa riquíssima", avisa.


