Com alergia a glúten e lactose, a química Juliana Galvão não encontrava doces adequados às suas necessidades e focou sua produção nos públicos vegano e alérgico
Com alergia a glúten e lactose, a química Juliana Galvão não encontrava doces adequados às suas necessidades e focou sua produção nos públicos vegano e alérgico | Foto: Gina Mardones



Dizem que a necessidade é a mãe das invenções. Muitas pessoas acabam descobrindo novas paixões e até profissões justamente desta forma. Alérgica a glúten e à lactose, a química Juliana Costa Rolim Galvão não encontrava doces gostosos e adequados às suas necessidades, por isso começou a testar receitas diversas. No início fazia apenas para ela e sua família, mas com os elogios, começou a aceitar encomendas.

"Faz quase um ano que comecei a trabalhar com encomendas. Faço bombons, brigadeiro, beijinho, trufas e agora na Páscoa estou produzindo também os ovos de chocolate, tanto tradicionais quanto recheados e de colher", explica. Identificada como Jubis Chocolateria Vegana por não conter nenhum ingrediente de origem animal, Galvão conta que atende não só os veganos mas também alérgicos.

"Tenho uma cliente de 5 anos que nunca tinha comido um brigadeiro! Tem também quem compre para sua festa porque vai ter convidados com restrições. Geralmente a pessoa compra um pouco dos doces veganos e outra parte de tradicionais. Tem também quem compra uma vez por curiosidade e depois continua comprando."

Além de produzir os doces, parte da matéria-prima deles é produzida por ela também, como o leite condensado vegetal, que pode ser feito a partir do leite de coco ou leite de amêndoas, que também são caseiros. O sabor fica bastante próximo ao "original", mas até chegar nele, Galvão conta que foram muitos testes.

Além dos doces, a química se dedica ao mestrado e também dá aulas, mas com o sucesso da confeitaria pensa em futuramente ampliar o negócio, talvez até abrir uma loja. "Já tenho pronta uma receita de bolo, que pretendo lançar depois da Páscoa. Agora minhas atenções estão voltadas para atender às encomendas de chocolate. Trabalho sozinha a maior parte do tempo e minha mãe me ajuda em épocas como a Páscoa. Todo o processo é bastante trabalhoso, mas vale a pena, gosto do resultado", conta.

Delícias artesanais

"Trabalho só sob encomenda e escolhi o ovo de colher porque é o que tem tido mais procura ultimamente", diz a confeiteira Vanessa Vindica
"Trabalho só sob encomenda e escolhi o ovo de colher porque é o que tem tido mais procura ultimamente", diz a confeiteira Vanessa Vindica



A confeitaria também entrou por acaso na vida da bióloga Vanessa França Vindica. Formada pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), ela morou dois anos em Manaus, enquanto fazia mestrado em Ecologia. Trabalhou mais um ano fora de Londrina e depois acabou voltando. Sem emprego e com vocação para os doces, ela começou a produzir cheesecakes e tortas para vender. Surgia assim a Chá das Cinco.

"Eu presenteei algumas amigas com o cheesecake, as pessoas gostaram e começaram a sugerir que eu vendesse. No começo eu fazia apenas tortas e o cheesecake, depois as pessoas foram pedindo para eu ampliar o cardápio e passei a fazer naked cake também. Fora isso, produzo os ovos na Páscoa e gingerbreads no Natal como um cardápio sazonal", explica.

Durante esse período ela foi fazer cursos específicos da área e aprendeu a lidar com pasta americana e o chocolate, por exemplo. Com temperaturas específicas para o derretimento e a modelagem, exige precisão para que o resultado saia conforme o esperado e os ovos não derretam ou ganhem textura estranha depois de prontos.

Imagem ilustrativa da imagem O que trazes pra mim?
| Foto: Gina Mardones e Divulgação



Neste ano ela optou por trabalhar apenas com ovos de colher, devido à procura. Além de sabores já tradicionais como brigadeiro, leite ninho com nutella e maracujá com chocolate, Vindica também criou sabores diferentes, como chocolate com geleia caseira de morango, creme de limão com chocolate e brigadeiro de nozes. Também já incorporou nas ofertas pedidos de clientes, como beijinho com ganache de chocolate amargo.

"Faço em dois tamanhos, 250 gramas e 50 gramas. Trabalho só sob encomenda e escolhi o ovo de colher porque é o que tem tido mais procura ultimamente. O ovo artesanal sai um pouco mais caro porque é diferente daquele vendido no supermercado", afirma.

Embora voltar para a Biologia não esteja descartado, ela diz que vale a pena trabalhar com confeitaria, embora seja uma atividade com renda flutuante. "O início de ano costuma cair a demanda, as pessoas já gastaram no Natal e Ano Novo, têm um monte de impostos para pagar e o doce acaba ficando em último plano. Mas é algo legal. Acho importante valorizar os pequenos empresários, dar prioridade para o mercado local."

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