O médico ginecologista que atua em medicina reprodutiva, Vinícius Stawinski, explica que o procedimento do congelamento de óvulos é mais simples do que as pessoas costumam imaginar. As mulheres passam pela medicação no período de 10 a 12 dias para estimular o crescimento dos óvulos.

"Um ciclo menstrual habitual todo mês recruta cerca de mil óvulos. Desses, um vai evoluir e ovular ao longo das duas semanas do ciclo. No tratamento de reprodução assistida, de cinco a 20 óvulos vão crescer", explica. Depois dessa etapa, vem o processo de captação desses óvulos.

O procedimento é feito em centro cirúrgico, sob efeito de anestesia leve, por meio do auxílio de ultrassonografia transvaginal e agulha fina para aspirar cada folículo. "Quanto mais jovem a paciente, maior a probabilidade de vir mais óvulos e mais saudáveis", afirma. O especialista afirma que a idade ideal para o procedimento é entre 25 e 35 anos.

Após o processo, os óvulos são levados ao congelamento a -192°C. "Uma vez congelado, a qualidade se mantém para até quando a mulher desejar engravidar". O médico indica que a principal vantagem desse processo é a liberdade de escolha da mulher para o momento de gestação.

IA E FERTILIZAÇÃO
Stawinski explica que a I.A. (Inseminação Artificial) é um dos tratamentos de reprodução assistida que consiste na inserção do espermatozoide preparado dentro do útero, para que ele percorra sozinho pelas trompas e encontre o óvulo para formar o embrião. Já a fertilização utiliza o procedimento da captação de vários óvulos para a formação do embrião fora do útero, com o auxílio do médico para inserir o espermatozoide no óvulo por uma microagulha. Após a formação do embrião, é feito um preparo para a transferência deles.

Segundo a 11ª edição do SisEmbrio (Sistema Nacional de Produção de Embriões), publicada no portal da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o Brasil realizou 36.307 ciclos em 2017, um aumento de mais de 7% em relação a 2016. No Paraná, foram 2.631 embriões congelados, destes, 24 foram doados para pesquisas com células-tronco embrionárias. O ginecologista acredita na acessibilidade do procedimento. "Hoje em dia está muito mais fácil. Antes era uma coisa impensável, hoje o tratamento está muito mais acessível, mesmo que seja por indicação de fertilização ou para a preservação de fertilidade", finaliza. (L.T.)

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