O primeiro de muitos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Quando nasce um bebê, nasce uma mãe. O nascimento da mãe Isabele Frasson Uemura foi no dia 13 de fevereiro deste ano, com a chegada de Marina. Este será, portanto, o primeiro Dia das Mães da nutricionista e professora universitária. O nascimento de um bebê é um misto de sensações para toda mulher e Uemura conta que com ela não foi diferente.
"A maternidade significa medo, ansiedade e alegria, tudo ao mesmo tempo. Esse primeiro Dia das Mães é um pouco irreal ainda, porque sempre foi um dia da minha mãe, da minha sogra. É óbvio que a Marina ainda não vai me dar um presente, mas o sorriso dela já é um presente", diz.
Uemura conta que sempre foi bastante independente e a chegada da filha mudou isso. "Você começa a abdicar de tudo. Hoje foi a primeira vez que consegui passar uma base depois do nascimento dela. A gente vai deixando tudo para eles. Ontem eu sai para procurar uma roupa para mim, para o dia do batizado dela e não encontrei nada. Já para ela tinha muitas opções. Ser mãe é parar tudo que está fazendo só para ficar olhando o bebê. A vida muda completamente", destaca.
A nutricionista avalia que a maternidade é um amor incondicional, mas também é algo que se constrói. Ela conta que teve dificuldades no início da amamentação e Marina chorava muito, querendo sempre estar em seu colo. Entender todo o processo e se adaptar às necessidades do bebê levou um tempo e causou certo desapontamento.
"Ela chorava demais, não era a maternidade que eu esperava. Demorei um pouco para descobrir o prazer de ser mãe. Eu sempre quis ter filhos e meu maior medo era não conseguir amamentar. Por sorte hoje temos pessoas que vêm até sua casa, te ajudam, orientam e no fim deu tudo certo. A maternidade que eu tinha era aquela do Instagram e a maternidade real é você ficar de pijama desde cedo até o marido chegar do trabalho. É não tomar café, não almoçar. Minha alegria é quando meu marido consegue ficar com ela de manhã para eu tomar um banho, ganho do dia", conta rindo.
Uemura afirma que além dessa imagem romantizada da maternidade, que aos poucos vai sendo desconstruída na sociedade, outro ponto que incomoda são as críticas e as opiniões das pessoas. Ela mesma conta que sentiu a mudança entre o que pensava durante a gestação e depois do parto.
"Hoje não julgo nenhuma mãe, toda mãe faz o melhor que pode. Ter amigas que engravidaram na mesma época que eu ajudou bastante, porque podemos trocar informações e experiências. Mas também acho que conhecimento demais atrapalha algumas vezes, você fica em conflito sobre o que fazer. O uso da chupeta, por exemplo, acalma o bebê, mas por outro lado você sabe que isso pode atrapalhar a amamentação. Eu preferia não saber disso, porque realmente ela fica mais calma com a chupeta", pontua.
Com apenas mais um mês de licença-maternidade, assim como todas as outras mães ela já sofre ao pensar que será necessário se separar de Marina, que ficará com as avós ou o pai enquanto a mãe trabalha.
Por isso, por enquanto ela curte os momentos com a filha, mesmo que isso signifique ficar sem fazer o almoço ou outras atividades. "Penso que ela vai crescer e logo não vai querer ficar no meu colo. Ela vai querer engatinhar, andar. As pessoas dizem para deixar o bebê chorar, mas essa fase vai passar. Outro dia ficamos juntas no sofá, ela dormiu no meu colo enquanto eu assisti a um filme. Foi maravilhoso, ela ali comigo. Se não der para fazer as coisas, fazer almoço, não tem problema, a gente pede comida."
Outros filhos
Mesmo com os desacertos iniciais, Uemura conta que já pensa em ter outro filho, mesmo que seja daqui a uns dois anos. "Ser mãe foi a melhor escolha da minha vida. Sou muito independente e ter alguém dependente de você é algo muito louco. Ver que você é capaz de acalmar uma outra pessoa! Quando ela acorda e eu digo bom dia, ela abre aquele sorriso e você vê que ela te ama! Ter filho é algo muito gostoso, mas é também você começar a fazer coisas que nunca imaginou, como ir ao banheiro de porta aberta, é perder a vergonha de amamentar em público, é abdicar das coisas, é ter ciúmes. Ser mãe não é fácil, mas também não é difícil!"


