O peso da obesidade
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sexta-feira, 02 de março de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
Gordinho, cheinho, rechonchudo, gordão, grande, obeso. De eufemismos à xingamentos cruéis, o peso de estar obeso vai além dos números na balança. Considerada um dos maiores problemas de saúde do mundo pela OMS (Organização Mundial de Saúde), a obesidade demonstra um comportamento social, político, econômico, cultural e físico que leva à epidemia. Enfrentá-la é um desafio.
No Brasil, alguns estudos apontam que mais de 50% da população está acima do peso. O último levantamento oficial feito pelo IBGE é de 2008-2009 e a POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) já apontava que 34,8% da população brasileira estava acima do peso e 16,6% obesa. A região Sul registra o maior índice, com 56,8% dos adultos com excesso de peso.
Evitar que o número se alastre é ainda um desafio mundial, já que o comportamento do homem contemporâneo só tende a contribuir com a doença. Maria Edna de Melo, presidente da Abeso (Associação para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) afirma que temos uma vulnerabilidade ideológica. "Este é um termo que eu gosto muito, porque ao longo de séculos e milênios, o ser humano foi selecionado e sobreviveu à natureza com a capacidade de economizar energia. Hoje, a gente tem uma disponibilidade de alimentos muito grande e tudo muito industrializado, com quantidades elevadas de gorduras, açúcares, sal. São alimentos muito gostosos, o que faz a gente comer ainda mais", explica.
A especialista afirma que este comportamento se soma às principais causas da obesidade. "População geneticamente predisposta, que encontra um ambiente que promove o sedentarismo e promove também uma alimentação volumosa e rica em calorias. Esses são os três pontos mais importantes dos fatores da obesidade", informa. Além desses, a médica aponta a microbiota intestinal, poluição, ambientes termoneutros (com temperatura controlada por ar-condicionado, por exemplo), entre outros. No entanto, os três pilares citados são determinantes.
O Caderno da Atenção Básica da Obesidade, do Ministério da Saúde, aponta que a base da doença é o balanço energético positivo quando se consome mais do que se gasta, resultando em ganho de peso. Os parâmetros para se definir quem é ou não obeso foram estabelecidos pela OMS por meio do IMC (Índice de Massa Corporal). A pessoa com IMC acima ou igual a 30 é classificada como obesa.

As complicações decorrentes da obesidade são muitas. Diabetes, colesterol, hipertensão são as mais comuns, no entanto, o indivíduo muito acima do peso está mais predisposto ao aparecimento de doenças em qualquer um dos sistemas do organismo. "De uma forma geral, a obesidade leva ao aumento de doenças, piora a qualidade de vida e reduz a expectativa de vida da pessoa", afirma Melo. Além disso, há a união de questões psicossociais, como autoestima baixa e bullying.
SAÚDE NA BALANÇA
Os tratamentos mais frequentes para a obesidade estão apresentados nas Diretrizes Brasileiras de Obesidade de 2016, da Abeso. Farmacológico, dietético, terapia cognitivo-comportamental, terapias heterodoxas e suplementos nutricionais e o cirúrgico estão na lista. "Vai variar de paciente para paciente, mas vai ter sempre dois pilares principais: mudança na alimentação e o aumento da atividade física", argumenta Maria Edna de Melo, presidente da Abeso.
Na busca de uma solução no controle da doença são estudadas políticas públicas para um atendimento mais eficaz. Segundo Melo, a Abeso está desenvolvendo, junto com o Ministério da Saúde, um tratamento disponível antes e após a cirurgia bariátrica como forma de controle das operações já realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). "O paciente que operou precisa de vitamina. Então precisa de cirurgia, mas aí não tem polivitamínicos depois. A gente está trabalhando em conjunto para poder alinhar que o projeto entre e saia do papel", finaliza.


