Um comerciante recebe uma grande encomenda bem superior à sua capacidade. Para não perder o negócio, ele aceita, ainda sem saber como irá dar conta do compromisso firmado. Em uma entrevista de emprego, o candidato afirma saber determinada função, mesmo que nunca tenha trabalhado com aquilo. O chamado blefe - ato de enganar, fazer crer o que não é verdade -, pode aparentemente não trazer grandes consequências, mas mesmo pequenas mentiras podem se tornar grandes problemas. "Não existe mentira válida, não existe nobreza diante da mentira", atesta a psicóloga Maura de Albanesi, de São Paulo.

Segundo ela, a verdade sempre deve prevalecer, mesmo nos casos mais delicados. "Se me pedem algo que não sei fazer, é melhor dizer que não sei e que preciso de um tempo para aprender. Pode ser que eu não seja capaz de cumprir com o prometido, por isso a importância de dizer a verdade. Além disso, quem mente uma vez provavelmente vai mentir de novo", afirma.

Maura lembra que sempre alguém vai se prejudicar com as mentiras, inclusive quem mente. "A mentira obscurece a verdade e essa névoa escura também encobre o mentiroso. Ele materializa essa mentira e vai ter problemas por isso."

Diferente de mentir, ocultar a verdade pode ser uma alternativa em alguns casos: se ninguém te pergunta nada, não há porque dizer, segundo a psicóloga. Em outras situações usar a delicadeza para responder algum questionamento é o melhor caminho. "Se uma pessoa com quem você não tem intimidade te faz uma pergunta, ela te deu liberdade para a resposta", diz.

Sinais corporais
Embora nosso corpo emita sinais de que estamos mentindo, Maura afirma que eles não são confiáveis. Uma pessoa ansiosa irá se mexer muito, mas por ansiedade e não por mentir e nem sempre será possível diferenciar.

"A pessoa também pode ter trejeitos e nos confundir. Prefiro outros sinais para identificar uma mentira. Uma delas é que o mentiroso fica se justificando, inventando histórias ao invés de responder diretamente o que foi perguntado. Outra forma de identificar é quando a pessoa começa a te atacar quando é questionada sobre algo. Prefiro mais essas indicações do que os sinais corporais porque quem é muito mentiroso acaba não dando sinais", justifica.

Outra tática válida, segundo ela, é perguntar várias vezes a mesma coisa, para ver se a pessoa cai em contradição, a mesma tática usada pela polícia. Também vale fazer perguntas diferentes sobe a mesma coisa. "Mas não temos como exigir que alguém não minta", alerta.

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