O mundo a seus pés
Com rotina organizada, bancário transforma viagens em prioridade para a vida e registra seus pés por onde passa
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de maio de 2019
Com rotina organizada, bancário transforma viagens em prioridade para a vida e registra seus pés por onde passa
Walkiria Vieira - Grupo Folha 

Todo mundo conhece alguém que parece ter rodinhas nos pés e está sempre emendando uma viagem na outra. Os que amam viajar ensinam até simpatia: “Na virada do ano, pegue uma mala, dê três voltas na casa, sempre carregando a mala”, ensina a crença popular. Sabem de cabeça os feriados ao longo do ano, programam as folgas e, diante de um feriado prolongado, esticam a viagem. Campo, praia, hotel ou pousada, o que importa é viajar.

A busca por novos horizontes move o turista e o turismo. Seja em busca de belezas naturais, referências históricas e até cenários de filmes, o perfil varia e os destinos também. O bancário Marcelo Costa, 49 (@viagens_do_marcelo), faz das viagens um hábito que permite diversão, descoberta de novos lugares e uma verdadeira higiene mental.
Natural de Santa Fé do Sul, interior de São Paulo, atualmente mora em Curitiba. Seus gostos por viagens já somam quase 20 anos e tudo começou na década de 1990, em um tour que era para Machu Pichu e alcançou a Bolívia. Em seguida, foi a vez de desbravar pontos turísticos nacionais, principalmente as praias, América do Sul e Europa. “Estipulei fazer pelo menos duas viagens por ano, sendo uma para fora do Brasil”, conta.

Enquanto narra à FOLHA suas experiências, Costa está em Bergambacht, na Holanda. E, por incrível que pareça, o visitante garante que não há um planejamento tão definido sobre as escolhas. “A escolha é aleatória, não tem grandes planos. Minha ideia é sempre escolher um país ou região por algum local ou tema. Por exemplo, lavanda no Sul da França, tulipa na Holanda. Depois eu busco o máximo de informações na internet, compro um guia e com tudo isso monto o meu roteiro personalizado com o que mais gostei”, detalha. Simples assim. “Eu adoro ver novos lugares e me emociono da mesma maneira numa praça em Paris ou em Videira, em Santa Catarina”, acrescenta.
REVERÊNCIA
Uma marca das viagens de Marcelo é uma fotografia feita do mesmo jeitinho, em todos os lugares por onde passa. Descalço, com os pés para cima, ele reverencia céu e mar da terra visitada. “Não lembro, exatamente, mas foi mais ou menos o seguinte: li uma matéria de uma pessoa que levava uma mesma coisa, como por exemplo, o anão de jardim no filme 'O fabuloso Destino de Amélie Poulain', para tirar fotos em todas as viagens que fazia. Eu não queria levar nada, queria era me levar para muitos lugares. Então decidi fotografar os pés que me levaram para aquele novo lugar, pois eles viajam e me levam”, argumenta.

Aos que também desejam renovar o passaporte, aumentar a coleção de cartões-postais ou deixar o perfil nas redes sociais feito mapa, é preciso organização e o mínimo de disciplina. Costa reconhece que isso faz diferença. “Parcele, economize, tenha um carro mais velho, uma casa menor. Escolha viajar. Minha prioridade são minhas viagens”, admite.
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EDUCAÇÃO SEMPRE!
Para se virar bem por onde passa, ensina também: “A dica é simples: educação. Aprenda poucas palavras na língua local e use: bom dia, boa tarde, por favor, obrigado. Trate as pessoas como você quer ser tratado.” Um episódio internacional vem à tona sobre esse assunto: “Estava em Greenwich, em Londres, um motoqueiro parou para atravessarmos a rua e, quando estávamos do outro lado, ele gritou: 'thank you!' Depois dessa, sempre agradeço. Virou piada e digo que o Daniel Day-Lewis me ensinou”, recorda.
Sobre o quanto as experiências somam a sua bagagem cultural, Costa comenta: “Minhas viagens - meus pés viajantes - não me definem, mas cada local deixa um traço novo, uma memória nova, um sabor novo, e tudo vai sendo aglutinado e me faz uma nova e melhor pessoa”, reflete.
As diferentes culturas o influenciam principalmente pela observação. “Gosto muito, durante as viagens, de caminhar pelas ruas, ir a feiras, comer em locais não turísticos, caminhar nos parques e, dessa forma, perceber a vida nos diferentes locais que visito, trazendo o que aprendo para meu cotidiano”, resume.


