O Clube Concórdia, em Rolândia, foi o primeiro ponto de encontro dos amigos José Luis Consulin (representante comercial) e Rodrigo Barison Dal Sasso (autônomo), quando estavam ainda na casa dos 8 anos de idade. As tardes nas piscinas deram início a uma amizade que se estende por quatro décadas. Curiosamente, a perda de um anel serviu de elo para a amizade que passou por várias fases, mas nunca se desfez.

Imagem ilustrativa da imagem O doce elo da infância
| Foto: Anderson Coelho

José Luis Consulin e Rodrigo Dal Sasso ainda guardam os brinquedos que marcaram uma geração: "Somos como irmãos até hoje". Veja vídeo utilizando a tecnologia de Realidade Aumentada

"Eu ganhei um anelzinho do meu pai porque a família sempre teve relojoaria. Era de prata com uma pedrinha vermelha e um dia eu comentava numa rodinha cheia de meninos sobre esse anel que eu perdi no clube. Foi quando um deles avisou que o havia encontrado. Era o Rodrigo. Eu não o conhecia até então. Depois disso viramos amigos e não tem alguma dificuldade que eu passei que ele não tenha acompanhado de perto", reconhece.

Os meninos descobriram que eram praticamente vizinhos e, a partir de então, passaram a brincar na rua, um na casa do outro, e também na escola. Era um tempo em que podiam ficar até as 22 horas com toda a molecada. "Depois da aula era só fazer a tarefa e partir pra brincadeira", contam. No caso de José Luis e Rodrigo, os brinquedos guardados são prova da amizade e, em recente encontro que reuniu a família dos dois, os antigos carrinhos viraram o centro das atenções e os amigos admitem: "Tivemos uma infância muito boa e amizade assim não é pra qualquer um." Além da consciência dessa virtude, os amigos se sentem privilegiados e vão além. "Somos como irmãos até hoje", ratificam.

Da relojoaria Diamante, pertencente à família de José Luis, saiu o anelzinho lá da história do clube. O anel, ele confessa que deve ter perdido - ou não sabe ao certo o paradeiro. Mas, como destaca a máxima popular, vão-se os anéis, ficam os dedos: nesse caso, o amigo da vida toda e uma relação de amizade tão resistente como diamante.

Das traquinagens comuns da idade a aventuras recentes na lama com o fusca batizado de Tatu Bola, preparado para trilhas em estradas rurais, Consulin e Dal Sasso colecionam muitas histórias, lembranças e momentos que poderiam até virar um livro. Confira nesta edição, alguns capítulos narrados pelos amigos.


"Tivemos uma infância muito boa e amizade
assim não é pra qualquer um"


Lobisomem de verdade
"Nós tínhamos uma máscara de lobisomem que tinha até cabelo. E no fim da tarde, começo da noite, passava uma senhora que todo mundo tinha medo. Daí o Zé Luis duvidou que eu a assustava. Eu fui atrás da árvore e peguei ela de surpresa. Me movimentava, fazia sons e ela saiu correndo, gritando e arrastando a criança. Daí eles disseram que não era para eu assustar daquele jeito", conta Rodrigo, revivendo a cena.

Lavadores de carro
"Sábado à tarde a gente se oferecia para lavar o carro do pai. Deixava brilhando, mas a voltinha era sagrada. Mal enxergava a frente do carro, se acertava nos pedais e já sabia dirigir", conta Luís. Graças aos anjos de plantão, que deveriam fazer hora extra, nada de mal aconteceu com os garotos que garantem que o carro ficava brilhando.

Na hora certa, no lugar certo
"Eu estava de férias na cidade e fui buscar água em uma fonte termal perto de casa. De repente, quando eu caminhava a pé, passa um 'dojão' vermelho. Na direção estava o Zé Luis. Não acreditei. Logo ele me chamou, subi no carro com o galão de água e passamos a dar umas voltas. De repente, o 'dojão' ferveu e usamos a água para resolver o problema. Ou seja, foi uma sorte imensa, a dele, ter me encontrado", brinca Rodrigo.

"Não tem dificuldade que eu passei que ele
não tenha acompanhado de perto"


"Prazer, estrogonofe"
Os amigos lembram que seus pais têm boa parcela de contribuição na união deles e a porta da casa de um sempre esteve aberta para o outro. Se Rodrigo elogia o bolo caseiro que dona Hilma serve a ele até hoje com café, Zé Luis recorda o dia em que descobriu o quão bom era o tal do estrogonofe pelas mãos de dona Anete, mãe de Rodrigo. "Nem sabia que gosto tinha e foi na casa dele que eu comi pela primeira vez na minha vida", fala.

"Era só bater o dedo no meio da pista"
O autorama, uma das paixões dos meninos, fazia com que fossem longe. E não mediam os perigos. "A gente ia por meio da pista e batia o dedo (para pegar carona)", contam. Na ida e na volta era assim. O Shopping Com-Tour (em Londrina) era o destino, graças à pista que possuía. Numa dessas caronas, o motorista viu uma blitz e mandou os moleques ficarem quietinhos para que a polícia não parasse ele. "Mostrou um facão para fazer o pedido", lembram.

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