O doce elo da infância
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sábado, 27 de outubro de 2018
Walquiria Vieira<br>Reportagem Local 
O Clube Concórdia, em Rolândia, foi o primeiro ponto de encontro dos amigos José Luis Consulin (representante comercial) e Rodrigo Barison Dal Sasso (autônomo), quando estavam ainda na casa dos 8 anos de idade. As tardes nas piscinas deram início a uma amizade que se estende por quatro décadas. Curiosamente, a perda de um anel serviu de elo para a amizade que passou por várias fases, mas nunca se desfez.

José Luis Consulin e Rodrigo Dal Sasso ainda guardam os brinquedos que marcaram uma geração: "Somos como irmãos até hoje". Veja vídeo utilizando a tecnologia de Realidade Aumentada
"Eu ganhei um anelzinho do meu pai porque a família sempre teve relojoaria. Era de prata com uma pedrinha vermelha e um dia eu comentava numa rodinha cheia de meninos sobre esse anel que eu perdi no clube. Foi quando um deles avisou que o havia encontrado. Era o Rodrigo. Eu não o conhecia até então. Depois disso viramos amigos e não tem alguma dificuldade que eu passei que ele não tenha acompanhado de perto", reconhece.
Os meninos descobriram que eram praticamente vizinhos e, a partir de então, passaram a brincar na rua, um na casa do outro, e também na escola. Era um tempo em que podiam ficar até as 22 horas com toda a molecada. "Depois da aula era só fazer a tarefa e partir pra brincadeira", contam. No caso de José Luis e Rodrigo, os brinquedos guardados são prova da amizade e, em recente encontro que reuniu a família dos dois, os antigos carrinhos viraram o centro das atenções e os amigos admitem: "Tivemos uma infância muito boa e amizade assim não é pra qualquer um." Além da consciência dessa virtude, os amigos se sentem privilegiados e vão além. "Somos como irmãos até hoje", ratificam.
Da relojoaria Diamante, pertencente à família de José Luis, saiu o anelzinho lá da história do clube. O anel, ele confessa que deve ter perdido - ou não sabe ao certo o paradeiro. Mas, como destaca a máxima popular, vão-se os anéis, ficam os dedos: nesse caso, o amigo da vida toda e uma relação de amizade tão resistente como diamante.
Das traquinagens comuns da idade a aventuras recentes na lama com o fusca batizado de Tatu Bola, preparado para trilhas em estradas rurais, Consulin e Dal Sasso colecionam muitas histórias, lembranças e momentos que poderiam até virar um livro. Confira nesta edição, alguns capítulos narrados pelos amigos.
"Tivemos uma infância muito boa e amizade
assim não é pra qualquer um"
Lobisomem de verdade
"Nós tínhamos uma máscara de lobisomem que tinha até cabelo. E no fim da tarde, começo da noite, passava uma senhora que todo mundo tinha medo. Daí o Zé Luis duvidou que eu a assustava. Eu fui atrás da árvore e peguei ela de surpresa. Me movimentava, fazia sons e ela saiu correndo, gritando e arrastando a criança. Daí eles disseram que não era para eu assustar daquele jeito", conta Rodrigo, revivendo a cena.
Lavadores de carro
"Sábado à tarde a gente se oferecia para lavar o carro do pai. Deixava brilhando, mas a voltinha era sagrada. Mal enxergava a frente do carro, se acertava nos pedais e já sabia dirigir", conta Luís. Graças aos anjos de plantão, que deveriam fazer hora extra, nada de mal aconteceu com os garotos que garantem que o carro ficava brilhando.
Na hora certa, no lugar certo
"Eu estava de férias na cidade e fui buscar água em uma fonte termal perto de casa. De repente, quando eu caminhava a pé, passa um 'dojão' vermelho. Na direção estava o Zé Luis. Não acreditei. Logo ele me chamou, subi no carro com o galão de água e passamos a dar umas voltas. De repente, o 'dojão' ferveu e usamos a água para resolver o problema. Ou seja, foi uma sorte imensa, a dele, ter me encontrado", brinca Rodrigo.
não tenha acompanhado de perto"
"Prazer, estrogonofe"
Os amigos lembram que seus pais têm boa parcela de contribuição na união deles e a porta da casa de um sempre esteve aberta para o outro. Se Rodrigo elogia o bolo caseiro que dona Hilma serve a ele até hoje com café, Zé Luis recorda o dia em que descobriu o quão bom era o tal do estrogonofe pelas mãos de dona Anete, mãe de Rodrigo. "Nem sabia que gosto tinha e foi na casa dele que eu comi pela primeira vez na minha vida", fala.
"Era só bater o dedo no meio da pista"
O autorama, uma das paixões dos meninos, fazia com que fossem longe. E não mediam os perigos. "A gente ia por meio da pista e batia o dedo (para pegar carona)", contam. Na ida e na volta era assim. O Shopping Com-Tour (em Londrina) era o destino, graças à pista que possuía. Numa dessas caronas, o motorista viu uma blitz e mandou os moleques ficarem quietinhos para que a polícia não parasse ele. "Mostrou um facão para fazer o pedido", lembram.


