O direcionamento do Brasil
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sábado, 16 de fevereiro de 2019
Lais Taine<br>Reportagem Local 

Os anos 1990 direcionaram o Brasil e o mundo para novos caminhos. A década iniciou com o primeiro presidente eleito diretamente no Brasil e foi marcada pela instauração do Plano Real após várias estratégias fracassadas para impedir a inflação. Nesse período, vieram abertura para o capital estrangeiro, privatizações, reformas e também o fim da década com déficit nas dívidas públicas e altas taxas de desemprego. Vários fatos no País e no mundo dizem como nos comportamos hoje. É o que Wilhelm Meiners, professor e pesquisador do curso de economia da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) explica.
"Quando vamos analisar os anos 1990 no Brasil, temos que observar o que dizem como um período de neoliberalização, menor influência do Estado. Mas os anos 1990 foram importantes não só pela estabilização e pela promoção da reestruturação produtiva, eles marcaram a reinserção do Brasil como um país líder na economia mundial", afirma o professor.
A década é marcada por um processo de reabertura política e econômica, com reduções nas tarifas de importação e grande fluxo de investimento estrangeiro no País. Fato que se deu após a estabilidade econômica do Plano Real, de 1994. "Os anos 1990 foram difíceis em termos de crescimento e desemprego, mas o que marca decisivamente a economia brasileira é a estabilidade conquistada com o Plano Real, lembrando que até 1993 se fez uma série de choques de estabilização e todos fracassaram", recorda. Tudo isso, após confisco da poupança no Plano Collor, presidente que sofreu impeachment em 1992.
Estabilidade econômica, legislação favorável ao capital estrangeiro e confiança na economia brasileira mudaram os rumos do País, que passou por reestruturação produtiva com o ingresso da indústria brasileira na terceira revolução industrial e o desenvolvimento da tecnologia no período.
No entanto, o professor aponta que nem tudo são flores. "A gente chega no final da década com uma série de críticas, com baixo crescimento do PIB, grande fragilidade externa, instabilidade nas contas externas e um problema crítico de déficit e dívida pública que vivemos até hoje", aponta. Apesar de algumas aplicações na primeira gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, o professor fala sobre a dificuldade de implantação de política de longo prazo na economia brasileira.
Meiners avalia o período como positivo ao considerar as reformas macroeconômicas, sociais, tecnológicas que encaminharam o País, porém, dirige a responsabilidade a lideranças sociais, empresariais e industriais e não a partidos, governo e ideologia. Para o professor, essas ações foram fundamentais para os anos posteriores. "Apesar de chegar ao final da década com desemprego alto, foi um período em que se plantou muito daquilo que se colheu na década seguinte na economia brasileira", defende.


