Como buscar ideias inovadoras para solucionar problemas complexos? O design thinking é utilizado por muitas organizações para enxergar além do pensamento linear comum e encontrar novas ideias. A intenção é utilizar o modelo mental do designer para criar propostas inovadoras em áreas diferentes, seja na administração de uma empresa, na medicina, na ciência, na criação de um produto ou serviço ou em desafios pessoais.

"Design thinking é inovação centrada nas pessoas. O grande diferencial é sair da lógica cartesiana e começar por aquilo que é desejável pelas pessoas no mundo que a gente está vivendo", explica Mário Rosa, sócio e responsável pela Echos no Brasil.

Nesse modelo, as soluções são focadas na experiência das pessoas afetadas pelo problema e não na vantagem que se tira disso. "Muitas empresas se preocupam: 'como faço para vender? Como faço para aumentar a lucratividade?', mas tudo isso é problema das organizações, não das pessoas", aponta.
Rosa indica que atualmente há uma mudança relevante de valores e que é necessário se conectar com essa transformação. "A gente vê muitas empresas perdendo a relevância porque novas soluções surgiram para atender as necessidades das pessoas. O design thinking traz a relevância para essas criações dentro das organizações, é a ponte entre elas e o mundo que está acontecendo lá fora", defende.

VISÃO DE MUNDO
Mas como ter essa visão de mundo para criar propostas diferentes? De onde vem tanta criatividade? Segundo Rosa, a criatividade geralmente é pautada em quatro pilares: pessoa, processo, ambiente e produto, e a forma de pensar do designer está muito interligada a esses pontos. "Toda essa abordagem é o despertar de uma confiança criativa nas pessoas que o processo educacional vai nos limitando em vez de nos ajudar", afirma.

O assunto é abordado pelo educador Ken Robinson, em seu livro "Libertando o poder criativo: a chave para o crescimento pessoal e das organizações", publicado no Brasil pela editora HSM. Para ele, a criatividade é a maior habilidade da inteligência humana e cada vez mais necessária considerando a velocidade das transformações sociais e culturais.

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PAPEL DA ESCOLA
No entanto, muitas pessoas crescem sem confiança em seu potencial de criação. "Minha teoria é que todos nós nascemos com imensos talentos naturais, mas pouquíssimos descobrem quais são essas habilidades, e menos pessoas ainda as desenvolvem de maneira adequada. Ironicamente, uma das principais razões para o grande desperdício de talento está justamente na instituição que deveria desenvolvê-lo: a escola", afirma no livro.

Correr risco, errar, faz parte do processo criativo, mas a cultura atual não permite que fracassemos. Segundo o psicólogo organizacional Adam Grant, errar faz parte dos hábitos dos originais. "Se olharmos as diversas áreas, os maiores originais são aqueles que mais fracassam, pois são os que mais tentam", defende em conferência do TED, em 2016. Além do medo e dúvidas na hora de enfrentar os desafios, os originais também procrastinam, permitindo um respiro para novos pensamentos, e têm ideias ruins.

O design thinking exercita esse risco ao se despir de pré-julgamentos de ideias. Segundo Rosa, a abordagem está sustentada em três pilares fundamentais: empatia para compreender o problema de fato; colaboração para pensar em conjunto e debater ideias; e experimentação para construir a ideia e evitar problemas na fase de implementação. "O que muda as organizações são as pessoas e elas precisam ter visão diferente de mundo e essa visão depende desses valores fundamentais. Se eu não tiver isso internalizado, vou acabar utilizando de forma mecânica", afirma.

Todo o processo estimula a criatividade ao fazer com que as pessoas tenham mais confiança ao expressar suas ideias e opiniões. Também permite um caminho não-linear, em que a liberdade para errar e consertar seja propícia. Os ambientes de execução de cada fase também percorrem por cenários diferentes, tirando a equipe do escritório, e toda essa movimentação conjunta tende a resultar em propostas inovadoras.

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