O desafio de sair da inércia
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sábado, 15 de dezembro de 2018
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Na hora de fazer atividades físicas as pessoas se dividem entre aquelas que amam e aquelas que odeiam. É claro que há variações entre os níveis, como aqueles que até têm preguiça de sair do sofá mas depois curtem a aventura, aqueles que amam mas não ficam tristes quando a academia fecha no final de semana. E há também quem paga um pacote de seis meses na academia só para aliviar a consciência, mas não vai nem um mês.
Os benefícios do esporte são diversos, ninguém pode negar: condicionamento físico, mais disposição, melhor sono, perda de peso, produção de endorfina, socialização, saúde em dia e prenúncio de uma velhice com mais disposição. Esses seriam motivos suficientes para sair do sedentarismo. Mas quem não gosta de se mexer não se deixa convencer e as justificativas são muitas também: de falta de tempo à absoluta e assumida preguiça.
A professora e educadora física Débora Alonso Monson, do Studio Carpe Diem, explica que muitos de seus alunos chegam por recomendação médica ou porque estão acima do peso e percebem a necessidade de mudar. Cerca de 99% deles afirma não gostar de exercícios físicos. "Ao longo desses dez anos tenho entendido e percebido cada vez mais que é a grande dificuldade do ser humano de mudar a rotina e de tomar posse de si. Estamos muito preocupados com outras questões e vamos deixando de lado ter esse tempo para nós e para cuidar da saúde. O primeiro motivo pelo qual as pessoas não se mantêm numa rotina de exercício físico é que ela demanda mudanças de hábito, que não são fáceis."
Na mudança de hábito está incluído reprogramar a rotina, já que é necessário além do tempo para o exercício, um tempo a mais para o banho, uma alimentação breve e a retomada das atividades.
Ela afirma também que muitos confessam ter preguiça de sair de casa. "Temos em grande parte um público adulto, que vem de uma experiência meio frustrante de exercício. A educação física escolar era muito chata. Aquele momento na infância de entender que o exercício físico era legal, foi frustrada. A gente vem de uma rotina de infância muito ruim. Depois, a gente também se acostumou com uma academia de musculação muito tradicional, onde eu vou e faço o mesmo treino, aquela rotina. As pessoas não se permitem conhecer novos métodos de trabalho, mas talvez algum deles vai satisfazer aquela pessoa", orienta.
Explicar os benefícios do exercício físico ao longo da vida também pode ser uma forma de conscientizar as pessoas. Procurar grupos sociais, ou ir com um amigo, pode ser o empurrão necessário para sair do sofá. Mesmo quem não tiver alguém terá grandes chances de fazer novas amizades, segundo ela.
Segundo Monson, outro fator que faz com que adultos abandonem os exercícios vem do fato de que foram crianças sedentárias. Pesquisas teriam comprovado isso cientificamente. A grande preocupação é que as crianças hoje têm se tornado cada vez mais sedentárias e quando se tornarem adultas estarão ainda piores quando comparadas aos adultos de hoje.
"Ninguém gosta de fazer exercício. Exercício dói, cansa, e você tem grandes chances de ficar dolorido por até 48 horas após, se você está aumentando a intensidade dos treinos. Quem quer ficar dolorido? Ninguém gosta. Agora, se você entende os benefícios disso, essas dores passam a ser dores mais prazerosas. Eu brinco com os meus alunos que são dores do bem. Dor ruim é dor de cabeça, dor de estômago, isso é ruim", alerta.


