Miguel Archanjo descarrega a tensão atirando com arco e flechas que ele mesmo produz
Miguel Archanjo descarrega a tensão atirando com arco e flechas que ele mesmo produz | Foto: Saulo Ohara



Pelo menos uma vez por semana, Miguel Archanjo brinca de arco e flecha "até o dedo arder". E o mais curioso é que o "brinquedo" é feito por ele mesmo, inclusive o alvo – um alce de espuma que não reclama do dono. Fazer o arco – de ipê roxo – exige conhecimento e habilidade e o tiro requer concentração, precisão, foco e perseverança. Dessa forma, se desliga dos problemas.
Miguel gosta do arco primitivo, aqueles dos filmes medievais, mas não usa para caçar. "Sou um amante da natureza", afirma. "Esse esporte me relaxa. Na hora de atirar, os problemas têm de ficar do lado de fora." O primeiro arco que ele fez foi há dez anos. De lá para cá, não parou mais de pesquisar e fabricar, a não ser nos últimos meses por causa de um ferimento na mão. As flechas também são produzidas por Miguel, com pontas de ferro ou osso e do outro lado, penas de aves que voam – de gansos e perus são as mais usadas.
Uma flecha do arco primitivo chega à velocidade de 60 metros por segundo. As dos arcos modernos, que têm polia, voam o dobro dessa velocidade. "Eu gosto do primitivo porque remete às raízes do homem, à origem da humanidade", justifica ele, que tem também uma besta, arma usada para proteger castelos na era medieval. Os arcos, por sua vez, têm de ser feitos com a casca da madeira na parte da frente e seguir a mesma fibra até o final. O tamanho depende da altura do atirador e é adequado à sua força.
Miguel destaca que o arco e flecha foram desenvolvidos por todas as civilizações antigas, de forma independente uma da outra, o que gerou uma enorme variedade. Ele se aventurou a fazer também uma katana (típico sabre longo japonês) com auxílio de uma esmilhadeira. "A katana é uma das melhores espadas que o homem já fez", ensina. "O cabo tem que ser pesado para dar o equilíbrio com a lâmina." Mas, segundo ele, o modo de produzir a katana é um segredo milenar e precisa de forja, bigorna, ferramentas das quais ele ainda não dispõe. (M.R.)

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