Beija-Flor de Fronte Violeta (Thalurania gloucopis)
Beija-Flor de Fronte Violeta (Thalurania gloucopis) | Foto: Fotos: Leonardo Weffort Patrial/Divulgação



Biólogo, o londrinense Leonardo Weffort Patrial encontrou nas expedições para observação de aves uma forma diferente de exercer sua profissão. Ele trabalha viajando entre os diferentes biomas brasileiros – Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica -, guiando tanto leigos interessados em observar a natureza quanto biólogos e outros cientistas, nacionais e estrangeiros, que vêm estudar nossas aves, além de fotógrafos. Ele mesmo faz várias imagens, embora não se considere um profissional da área.

"Sou um ornitólogo, apesar de ter o equipamento fotográfico. Gosto mesmo é de observar as aves", explica. Patrial trabalha algumas vezes em parceria com o irmão, Eduardo Patrial. Ele explica que presta serviço para empresas internacionais que contratam o serviço de empresas brasileiras, para guiar seus clientes, e também monta seus próprios roteiros e grupos particulares.

"Nosso trabalho começa uma hora antes do amanhecer. As primeiras e as últimas horas do dia são as mais propícias", diz o biólogo Leonardo Patrial
"Nosso trabalho começa uma hora antes do amanhecer. As primeiras e as últimas horas do dia são as mais propícias", diz o biólogo Leonardo Patrial



Cada grupo é bem distinto, conforme os objetivos dos participantes, podendo variar entre uma e 15 pessoas. "É um hobby muito difundido em outros países. Existe tanto o interesse de estar na natureza passeando, quanto fazer um tour guiado mais técnico, para biólogos e ornitólogos de outros países", explica.

Devido sua formação, Patrial presta toda a consultoria científica, indicando o nome dos animais – conforme a nomenclatura internacional -, fazendo plano de manejo e fornecendo material fotográfico.

Anambé de Asa Branca (Xipholena atropurpurea)
Anambé de Asa Branca (Xipholena atropurpurea)



Ele explica que a duração das expedições varia bastante, levando em conta o objetivo dos participantes e também as condições financeiras. "Vai de uma a várias semanas. Às vezes precisamos fretar voos para locais específicos, barcos, tem o custo de guias locais – necessários em alguns casos - e o pagamento de permissões locais. Nossos clientes em sua maioria são aposentados, acima de 55 anos, com boas condições financeiras, que querem ir atrás dos pássaros mas com conforto. Mas há exceções, claro. Tem clientes que se dispõem a acampar para encontrar um animal raro", afirma.

Topetinho vermelho (Lophornis magnificus)
Topetinho vermelho (Lophornis magnificus)



Público direcionado
Participar de expedições para observação de aves pede uma boa dose de paciência e a capacidade de se manter em silêncio. Às vezes é preciso passar um longo tempo procurando um animal raro, como aqueles com baixa densidade populacional, em grandes áreas. O biólogo explica que pode ocorrer de os participantes ficarem até dez dias procurando esse animal e não encontrá-lo, mas os participantes estão preparados para isso.

"Nosso trabalho começa uma hora antes do amanhecer. As primeiras e as últimas horas do dia são as mais propícias. Tem que acordar cedo, se manter em silêncio na hora de caminhar, evitar o barulho. A pessoa precisa ter uma postura diferenciada na natureza. Tem pessoas que são habituadas a fazer isso, atendi clientes que já tinham oito mil espécies observadas, mas havia pessoas que era a primeira vez, nem tinham prática com binóculo, com o equipamento, mas em geral elas gostam e têm um comportamento diferente", conta o biólogo.

Talha Mar (Rynchops niger)
Talha Mar (Rynchops niger)



Entre os observadores há aqueles que querem bater recordes de visualização e por isso, após avistado o animal, se dão por satisfeitos e partem em busca de outros. Já os fotógrafos querem encontrar a melhor luz, a paisagem, o que acaba demandando mais tempo. "É preciso saber lidar com as pessoas. O bom guia tem que ser bom em mostrar as aves e também ser bom com pessoas", diz ele.

Para os interessados em se aventurar na atividade, Patrial explica que começou seus estudos em Londrina na Estância Patrial. E na Mata dos Godoy há possibilidade de desenvolver as mesmas atividades.

Arara Azul de Lear (Anodorhynchus leari)
Arara Azul de Lear (Anodorhynchus leari)
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