O Brasil acompanha as transformações sociais, econômicas e políticas que ocorreram no mundo na década de 1990, que inicia com a reunificação da Alemanha, a derrocada da União Soviética e o fim da Guerra Fria. O período também pôs fim ao Apartheid na África do Sul e Nelson Mandela se torna o primeiro presidente negro daquele país. Em 1995, a OMC (Organização Mundial do Comércio) é instaurada marcando a emergência da globalização, além das revoluções tecnológicas.

"Foi um período de emergência da terceira revolução técnico industrial e da internet comercial como um fenômeno", explica Wilhelm Meiners, professor da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), mencionando que o computador pessoal já existia, mas se torna popular na década de 1990. "Isso marca a reestruturação na vida das pessoas, a internet passa a ser um grande influenciador. Nesta década, por exemplo, surgem as grandes empresas da internet, como Google e Amazon."

CONSEQUÊNCIAS

Decisões tomadas na década e também a evolução de processos históricos são sentidos até hoje. "Fim da Guerra Fria, processo de globalização, OMC, maior consciência ecológica a partir da Rio Eco-92 transpassando acordos internacionais, mudanças tecnológicas, terceira revolução industrial, tudo isso mudou o cenário, a configuração da vida das pessoas. Hoje a gente passa a ter acesso a produtos importados, no início dos anos 1990 isso não era possível. Então, foi um período rico de economias em transição, não só no Brasil, no mundo inteiro", afirma.

Segundo o professor, a década também é marcada pelo surgimento do respeito à diversidade, colocado em evidência também pelo fim do Apartheid. "Racismo, homofobia, xenofobia... Os anos 1990 marcaram uma transição de que a civilização não tolera mais isso, claro, isso é uma conquista de uma trajetória histórica longuíssima. O fim do Apartheid na África do Sul marca uma continuidade histórica de um processo de que a gente precisa viver melhor com nossos semelhantes. Infelizmente, isso é uma história de idas e vindas, hoje, o presidente americano quer dividir com um muro os EUA da América Latina, a Europa está vivendo a xenofobia, racismo, que não se aceitam mais nos dias de hoje, mas ainda existe", defende.

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