No carro, não é só o motor que está macio...
Além de melhor rendimento, menor emissão de poluentes e maior potência, a indústria automobilística também investe em conforto de ocupantes
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de junho de 2019
Além de melhor rendimento, menor emissão de poluentes e maior potência, a indústria automobilística também investe em conforto de ocupantes
Laís Taine - Grupo Folha
Quem vê um carro de 30 anos atrás e um de hoje vai perceber que muita coisa mudou. A indústria automobilística aposta em veículos que gastem menos e façam mais, criando motores mais potentes, econômicos e com menor emissão de poluentes. No entanto, quem procura um novo veículo não deixa de buscar um item essencial: conforto. Tecnologias para este fim estão sempre em destaque, com lançamento de produtos cada vez mais tentadores.
Muito responsáveis por isso foram as mudanças na legislação e a própria disputa pelo mercado. “Os primeiros carros criados nem suspensão tinham, uma viagem longa deixava a pessoa cansada. Hoje em dia, você faz uma viagem de cinco mil quilômetros, mas chega sem dor e cansaço físico”, comenta o professor e coordenador do curso técnico em manutenção automotiva, do Senai Londrina, Edison Bonifácio.
Além das transformações técnicas que tornaram os veículos mais potentes e seguros, o conforto também foi uma característica que progrediu. Atualmente, o consumidor que retira um carro de fábrica já exige itens básicos (como vidros e travas elétricos, direção hidráulica e eletrônica, sistema de som e alarme e ar-condicionado), mas as tecnologias desenvolvidas proporcionam dispositivos que vão muito além.
INOVAÇÕES
Ar-condicionado digital que pode ser controlado por cada ocupante. “Com até três ou quatro temperaturas diferentes dentro do veículo, cada um pode colocar na intensidade que quer para si dentro de um limite de mais ou menos oito graus entre um e outro”, explica o professor.
Os bancos eletrônicos com memória permitem que cada condutor ajuste (distância, altura, profundidade) e salve a posição para que, caso haja uma mudança, ele retorne aos ajustes anteriores. “Eu não preciso ajustar novamente, eu aperto aquele número e ele automaticamente ajusta. Há bancos com até quatro posições de memória”, afirma Bonifácio.
Adaptação de temperatura antes do ocupante chegar até o veículo também é uma possibilidade. “Você toma café da manhã, dá partida pelo controle do carro, o motor funciona e ele já liga o ar-condicionado ou aquecimento de bancos”, ensina o professor. A tecnologia dos bancos aquecidos é mais utilizada em países de clima frio, mas a ativação do ar-condicionado já é aplicada no Brasil, principalmente entre aqueles que deixam o carro estacionado no sol e não querem pegar uma sauna ao entrar no veículo.
INTERATIVIDADE
Com sistemas de multimídia cada vez mais avançados, hoje é possível ter uma conexão direta com o smartphone por comando de voz. “Hoje consigo ler uma mensagem, responder, interagir com o celular por meio do multimídia”, comenta.
Mais além do comando de voz, alguns veículos apresentam novas formas de comunicação. Chegar com as mãos cheias de sacolas e tentar abrir o porta-malas é uma situação já resolvida. “Tecnologias de carros de ponta tem um sensor embaixo do porta-malas, o carro percebe que a chave está próxima, então você passa o pé embaixo do sensor e o porta-malas abre sozinho.”
Aliás, a chave no bolso já é comando para outras atividades por meio do sistema Passive Entry. “Você não precisa pôr a chave, você simplesmente coloca a mão na maçaneta. Não precisa mais tirar a chave do bolso nem para entrar nem para dar partida, ela só precisa estar próxima do veículo”, observa.
AUTÔNOMOS
O professor ressalta que o grande estudo nesse quesito está sobre os veículos autônomos. “A grande tecnologia dessa área vem para mudar os costumes das pessoas. O carro vai andar sozinho, te levar para onde quiser, se comunicar com outras pistas, com a cidade, oficina, se tornar praticamente independente”, ressalta, embora acredite que no Brasil o processo seja mais lento.
Segundo Bonifácio, estas transformações também estão relacionadas ao acesso à informação. “Hoje o consumidor está mais exigente, de um modo geral. Quando um cliente chega para comprar um carro, ele já leu as críticas, pesquisou a mecânica, sabe quanto consome, os principais defeitos, e pesquisa também o espaço interno, o conforto, que pode até não ser o primordial, mas é um dos quesitos e as montadoras não podem ignorar isso”, conclui.
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