Necessidade fez o hábito
Feirante há 32 anos, José Carlos Pinheiro de Souza criou três filhas vendendo frutas e agora, frios. Ele conta que era bancário e depois de ficar desempregado, passando pela feira viu que uma banca estava sendo vendida. Comprou e nunca mais parou. Agora, aos 62 anos diz que a rotina começa a ficar puxada e que precisa pensar na aposentadoria. "Preciso ir atrás disso, fiquei sem pagar (a Previdência) porque antes tinha que ir ao banco, eu nunca tinha tempo", justifica.
Por causa do trailer é preciso chegar sempre antes que os demais colegas, caso contrário já não consegue acessar seu ponto na rua. "Levanto às 3 horas da manhã e trabalho até as 18 horas. Preciso chegar antes que todos, senão não passo depois que montarem as barracas. Por volta das 5h30, 6 horas recebo alguns fornecedores, como o de queijo, que traz a mercadoria fresca diariamente. Terminada a tarefa na feira, uso a tarde para fazer a compra de outras mercadorias, ir ao banco e coisas assim", descreve.
Souza conta com a ajuda das filhas. Uma delas trabalha com ele diariamente, outra ajuda aos domingos. A terceira trabalha esporadicamente, já que agora tem a própria família para cuidar.
"Me tornei feirante por necessidade mesmo. Tenho clientes habituais, que compram há muito tempo. Chegando tão cedo também atendo pessoas que saíram do trabalho e passam para pegar um queijo ou coisa assim." (E.G)





