Nas redes sociais
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sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
Recentemente, a atriz Bruna Marquezine fez um desabafo na sua conta do Instagram, apresentando comentários negativos que recebeu sobre seu corpo, alguns insinuando anorexia. A atriz comentou a falta de empatia dessas pessoas e contou que meses atrás havia sofrido com distúrbio de imagem, chegando a tomar laxantes diariamente. Em vídeos curtos, Marquezine apontou o impacto que comentários negativos podem ter sobre qualquer pessoa.

Essa situação não é experimentada apenas pela atriz. Em períodos de eleições, é fácil encontrar pessoas discutindo, sem pudor, com acusações e ofensas. No entanto, a violência que parece ser algo específico das redes, é um reflexo da sociedade. "A tecnologia, na verdade, é humana, não é uma entidade separada, a gente tem dentro desse espaço o reflexo que a gente vive aqui fora. O Brasil tem índice imenso de violência, o espaço da internet permite as pessoas acreditarem, ganha-se força. Qualquer ativismo fica muito fácil dentro desse campo de comunicação", defende a socióloga da Universidade Positivo, Eliane Basílio de Oliveira. De acordo com a socióloga, a pessoa não tem a dimensão do que isso implica na vida dela e no outro, mas que não se deve demonizar a tecnologia.
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De acordo com a psicóloga Isabel De Negri Xavier, além desse reflexo social, há também o distanciamento das relações promovido por essa forma de se comunicar. "Estamos em uma crise de relacionamentos mais próximos, íntimos e de vínculos. Hoje os formatos de comunicação são diferentes, o que tem seu aspecto positivo, pois permite ampliar a relação com pessoas independentemente do espaço geográfico; mas tem o outro lado, em que os encontros pessoais, face a face, estão ficando perdidos, estamos gerando situações de solidão, desamparo, submetidos a uma rede social", declara.
A falta de empatia sentida na rede é característica do comportamento fora dela. Esse distanciamento da realidade acaba implicando na falta de cuidado com o outro, tão visível nas redes sociais, mas pior sentido por aqueles que vivem às margens. "É a dissolução dos laços comunitários. A gente dialoga menos com as pessoas que estão em nosso entorno, é interessante que a gente fala com as pessoas na internet, mas não fala com as pessoas do seu lado, é a fragmentação da organização do espaço, rompimento desses laços coletivos. Quando a gente rompe isso e torna tudo individualista, há uma crise de organização coletiva", acrescenta a socióloga.(L.T.)


