Se você chegou até aqui sem bloquear ninguém no Facebook, não saiu de nenhum grupo no WhatsApp e nem discutiu com nenhum amigo por causa de política, parabéns! Em tempos de polarização, onde as pessoas torcem por seus candidatos com a mesma paixão com que torcem pelo time do coração, muitas amizades acabam sucumbindo quando os amigos estão em lados opostos.

Imagem ilustrativa da imagem 'Não seja ditador, respeite a opinião alheia'
| Foto: Shutterstock



Às vésperas do segundo turno há quem tente aproveitar os últimos momentos para convencer o amigo a mudar de lado e algumas amizades podem estar em risco. Mas, vale a pena discutir sobre isso? Ou sobre qualquer ponto oposto que o seu amigo venha a ter?

Psicólogo e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Nelson Fragoso diz que essa é uma discussão infrutífera e excluir e bloquear amigos por conta de divergências é um sinal de que não se consegue conviver com quem tem opinião diferente.

"A pessoa não tem maturidade para o que é diferente dela. Se isso (mensagem ou postagem) não se refere à você, apaga ou ignora. Não precisa ofender o outro. Isso é a dificuldade de aceitar a opinião do outro, respeitar o outro. Fala-se tanto em respeitar as diferenças mas não respeita a opinião do outro que é diferente", alerta.

"Não tem nada a ver dizer que alguém é 'ladrão' por votar em um candidato ou 'fascista' porque vota no outro"


BOM OU RUIM
Para o psicólogo, mesmo quando o outro escolhe um candidato que reuniria valores opostos aos seus não é necessário questionar o valor dessa amizade. "Algumas pessoas votam no candidato A não porque concordam em tudo com ele, mas porque são contra o candidato B e vice-versa. De qualquer forma, ninguém é totalmente bom ou totalmente ruim. O fato de alguém ser eleitor de um candidato não quer dizer que tenha os mesmos defeitos que ele. As pessoas escolhem seus candidatos baseados em diversos motivos. Não tem nada a ver dizer que alguém é 'ladrão' por votar em um candidato ou 'fascista' porque vota no outro", explica.

Ele diz também que um dos pontos que chamam a atenção neste pleito é justamente o medo do que o candidato eleito irá fazer. A tática é usada para atrair votos, já que a partir do momento em que se diz que o outro vai fazer coisas horríveis, automaticamente se atrai votos para o lado oposto. "São eleições pautadas mais pelo medo do que pelo que a pessoa irá fazer (como governante). Temos que votar pelo plano de governo", recomenda.

PRESERVAR A AMIZADE
Fragoso ensina que para preservar as amizades em tempos de ânimos acirrados o ideal é que cada um escolha o candidato que achar melhor e respeite a escolha do amigo. Recomendação que vale para qualquer ponto discordante.

"Vamos torcer para que aquele que ganhar seja bom para todos. Siga a sua orientação e deixe o outro seguir a dele. Vamos torcer para que quem ganhar seja a escolha certa e que tenhamos um País melhor. Afinal, quem for eleito vai tomar conta do País para todos. Quem vai se beneficiar ou não de quem entrar seremos todos nós, então temos que estar juntos. Quem preza uma amizade legal, vota em quem quer votar, não tenta convencer o outro. Se é realmente o seu amigo, dê um voto de confiança e respeite a opinião dele. Briga não vai resolver nada. Tanto falamos em ditadura, e o que é? A imposição de um pensamento diferente do seu. Então não vamos ser ditadores, vamos respeitar a opinião do outro."

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