Trabalhando de bicicleta, o carteiro Fábio Fernando Sarmento tem autorização para usar bermuda: "Eu gosto muito"
Trabalhando de bicicleta, o carteiro Fábio Fernando Sarmento tem autorização para usar bermuda: "Eu gosto muito" | Foto: Saulo Ohara



Depois de vários dias de chuva e temperaturas mais amenas, o calor chegou com tudo. Se quem está de férias pode curtir os dias mais quentes com roupas frescas, quem continua trabalhando precisa se adequar ao que pede o ambiente de trabalho.

Andando vários quilômetros todos os dias, os carteiros são alguns dos profissionais que sofrem com as altas temperaturas. Felizmente, o uniforme da empresa prevê peças mais frescas, como bermudas e camisas com tecido mais leve. Fábio Fernando Motta Sarmento entrega correspondências usando bicicleta e é um dos profissionais que têm autorização para usar bermuda.

"Eu gosto muito. Fica mais fresco e quando chove não fico com as pernas molhadas, porque a pele seca logo. E também não tem o risco de prender na correia da bicicleta", justifica.
Ele conta que gosta de usar o uniforme porque cria uma identificação com a comunidade. "As pessoas gostam dos carteiros, ficam esperando para saber se tem alguma correspondência. E o fato do uniforme contar com essas peças específicas traz mais conforto."

Ronaldo Augusto de Carvalho, gerente do Centro de Distribuição Domiciliar Oeste, em Londrina, explica que o uniforme dos funcionários dos Correios é composto por diversas peças, que atendem às mais variadas funções. Apenas os carteiros que fazem a entrega de correspondência usando moto não têm autorização para o uso da bermuda.

"A roupa também é um EPI (equipamento de proteção individual) e não é seguro andar de moto usando bermuda. Imagina se acontece algum acidente! Para esses funcionários há botas específicas, calça grossa e jaqueta de couro. Já para os demais o uso da bermuda é liberado e essa peça é entregue para as mulheres também. Além dela, fazem parte do uniforme uma camisa de manga curta com tecido mais leve, boné ou chapéu conforme a escolha do funcionário, óculos escuros e o filtro solar, além de tênis. Temos carteiros que preferem usar a manga comprida, pela proteção solar, isso fica à critério de cada um", explica.
Imagem da empresa

Diretor de Desenvolvimento de Pessoas da ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos), Luiz Edmundo Rosa diz que os brasileiros ainda são bastante conservadores quando se trata do modo de se vestir no trabalho.

"É uma das áreas que mudam mais lentamente, mas já temos grandes escritórios de advocacia em que os advogados não precisam usar gravata e podem usar as camisas com a manga dobrada. A indumentária é relacionada à cultura da empresa e mudar o modo de se vestir significa mudar essa cultura."

Ele explica que usar trajes menos formais no verão vai depender de cada empresa e cabe ao colaborador observar os limites, tendo bom senso. A tendência, entretanto, é de informalidade, até porque vivemos em um ambiente tropical.

"Cabe à empresa ouvir sua equipe e também seus clientes. Muitas vezes a empresa se mantém mais conservadora achando que o cliente não vai se sentir confortável, mas pode ocorrer o contrário, ele se sentir intimidado por um ambiente mais formal. E precisamos lembrar que roupas inadequadas podem render causas trabalhistas. Exigir que o colaborador use roupas muito quentes em ambiente sem refrigeração ou que se exponha ao frio sem roupas adequadas rende processos, a lei se modernizou para isso", alerta.

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