'Não posso ver liquidação'
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sábado, 24 de novembro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
Quem se identifica com os memes da internet sobre comprar "brusinhas" vai entender o comportamento de Tina Costa, 60, de Marília (SP). A aposentada sempre visita a tia em Londrina e aproveita para gastar. Seus itens preferidos são: blusinhas, calças e tênis. Antes das 10h de uma sexta-feira, passeando pelo Calçadão de Londrina, havia comprado um cobertor, uma meia de ginástica e pretendia passar no shopping para comprar uma saia. "Não posso ver liquidação", brinca.
Autointitulada gastadeira, Costa desabafa sobre suas compras com bom humor. "Meu marido até reclama, diz que toda vez que saio pra rua eu volto com sacola. Às vezes eu até escondo para ele não ver", conta rindo. Por ser uma pessoa vaidosa, está sempre levando uma novidade para casa, algumas até continuam nesse estado por um bom tempo. "Comprei um tênis que ficou dentro da caixa, nunca usei, aí eu tentei vender na internet", recorda.
Com isso, a aposentada vai fazendo dívidas até chegar na situação de pedir socorro. "Uma vez eu fiquei apurada, meu marido me ajudou e eu parei de comprar por uns três meses", lembra sobre a única vez que teve problemas com as contas que faz. Costa afirma que, apesar de gastar bastante, sempre escolhe peças baratas e que estão ao seu alcance.
Para se controlar, tem a ajuda de uma tia que está sempre a alertando. "Eu fico falando para ela pensar bem, que ela tem contas. Porque eu gasto menos, se eu tiver dívidas, eu nem durmo. Ela não, ela diz que deita e dorme sem problemas", denuncia Maria Amélia Nunes, 78, enquanto a sobrinha se diverte com a declaração.
Mas ela não é tão descontrolada assim, faz o dinheiro render. Com a pretensão de viajar em janeiro, desistiu de ir até a 25 de março, em São Paulo, onde já sabe que gastaria muito. Entre um desejo e outro, vai administrando o único cartão de crédito, seu aliado.
Sobre guardar dinheiro, não tem problema em dizer que nunca teve o hábito e argumenta. "A gente não sabe o dia de amanhã, tem que usar o dinheiro", ri confessando o pensamento.
No salão, nas lojas, no shopping, Costa vai comprando. E pagando. Depois da rasteira que levou do próprio consumo, sabe driblar as contas como ninguém e segue se divertindo e vivendo como se não houvesse amanhã - e gastando até o limite dizer 'chega!'. E ela obedece.


