Se uma flor sozinha já é bonita, em conjunto é mais ainda. Seria essa a lógica, mas arranjos de flores bem elaborados dependem mais do que volume e quantidade, é preciso ter técnica, conceito, conhecimento e criatividade. Pensando nisso, profissionais do ramo uniram-se há 16 anos para desenvolver a Abaf (Academia Brasileira de Artistas Florais) e então capacitar quem deseja trabalhar com a arte das flores.

"Para entrar na academia, é preciso passar por uma prova de conhecimento mínimo e avalia-se conceitos e técnicas", explica o presidente Paulo Andriola. Segundo ele, o trabalho faz parte das artes plásticas e, como toda arte, tem conceito. "E tudo é fundamentado, não é achismo. Harmonia de cores, proporção, ritmo, equilíbrio, são várias condições técnicas desenvolvidas através da teoria e experimentação", explica.

A Academia não tem sede, mas avalia e reconhece escolas e profissionais que obedecem aos critérios considerados fundamentais para o ensino da arte floral na formação de bons profissionais. Atualmente, são 12 professores certificados espalhados em vários estados do Brasil. De acordo com Andriola, a formação não é uma exigência, mas um diferencial. "A flor por si só é linda, ela pode ficar melhor ou pode não ser tão explorada por falta de capacitação. O conhecimento vem para para ajudar o desenvolvimento da técnica e da arte e exige um pouco de prática", diz, fazendo comparação com a música.

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Com isso, o profissional capacitado tem a segurança de que vai utilizar a flor da melhor maneira e também produzir mais depois de estudar seu objeto de trabalho. Mas em questão de valorização, o presidente critica. "Como toda arte no Brasil, não é valorizada. A pessoa não paga pela arte, ela paga pela flor e por isso acha um buquê caro. Em uma festa, o negócio é feito na quantidade e volume da flor dos arranjos e não pela coisa artística, então é mais comum vender flor e não arte."

Já em outro lado do mercado, nas floriculturas, a mão de obra qualificada pode fazer toda diferença. "A loja valoriza mais porque precisa de arranjos diferentes, tem que criar, porque as pessoas não vão comprar sempre a mesma coisa, mesmo arranjo, mesmo papel e é aí que entra o artista com conhecimento. Essas empresas que buscam inovação e técnica para desenvolver trabalho criativo valorizam mais", afirma.

Com isso, a Academia desenvolve os critérios e métodos de ensino, promove eventos para trazer inovações para o mercado e vê a profissão se desenvolver. Ao longo do tempo de atuação, viu que brasileiros evoluíram e começaram a conquistar o espaço, com três campeões, um vice e um quarto lugar na Copa das Américas de Arte Floral (realizada a cada três anos), além da competição mundial, com um artista em 8º lugar entre 40 países participantes. "Nós temos uma evolução, o que demonstra essa capacidade criativa do brasileiro", finaliza.

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