Mundo cosplay
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de abril de 2017
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 

Roupas, objetos, músicas, acessórios. Há quem colecione peças e tudo mais relacionado a um personagem favorito. E há quem vista o personagem de corpo e alma. Surgido na década de 1970 nos Estados Unidos, o termo cosplay é uma abreviação de "costume play", e significa se vestir de um personagem. Os cosplayers emprestam seu corpo e passam muito tempo de preferência customizando seu traje. Segundo a avaliação deles, a fantasia é muito mais valorizada quando foi confeccionada pelo próprio cosplayer e não comprada pronta.
Praticante do cosplay há muitos anos, a desenhista e youtuber Hanna Luise Domingues levou dois meses apenas para esculpir a cabeça de seu personagem Sans em espuma expansiva. "Os personagens são construídos realmente. Este é o meu oitavo (personagem), o primeiro foi o Sony. Depois eu fui aumentando a dificuldade. Para escolher o personagem eu levo em consideração o perfil dele e se eu caibo nesse perfil. O Sans, personagem de um jogo mais recente, é rebelde, tem um estilo dark. Eu me sinto parecida com ele, levo coisas dele pra minha vida e da minha para o personagem", explica.

Hanna conta que costuma se vestir como o personagem apenas para os eventos, mas que alguns amigos se vestem no estilo dos seus cosplays. "É algo que os jovens gostam, está ficando mais comum hoje."
No mundo do cosplay também é possível criar seus próprios personagens. O promotor de eventos Franchesco Olegário, ou Lorde Tchesco como é mais conhecido, pratica o cosplay desde 2002 e já criou alguns personagens, como o Deus da Água, com o qual se caracterizou para a entrevista. "É o que nós chamamos de 'cospróprio', ou seja, eu crio um personagem, crio o visual dele e monto uma história."
Ele acredita que hoje é um dos praticantes mais antigos em Londrina. "O pessoal cresce e esquece o cosplay", diz. Tchesco conta que em Londrina os cosplayers costumam se reunir mais em eventos e é difícil encontrar alguém vestido pela rua, ao contrário dos grandes centros. "Em São Paulo, principalmente na Liberdade é mais comum, assim como no Japão. Eu sou o que mais anda caracterizado pela rua, uso roupas mais estilizadas", afirma.
Por conta do visual nada ortodoxo ele relata já ter sofrido diversas situações de preconceito, como alguém ter atravessado a rua apenas porque ele estava vestido de preto. "As pessoas aqui não estão acostumadas, não é muito comum", lamenta.

Visual
Nem todos os personagens, entretanto, pertencem ao cosplay. Há diversas outras tribos, como o visual e o kei. A estudante Amanda Seret Zanoni se veste de Lolita Dark. O visual Lolita é um tipo de moda japonesa, popular entre adolescentes e jovens, que se vestem seguindo a inspiração rococó e vitoriana, com muitos babados e rendas. A ideia é parecer uma boneca, e o visual dark seria uma subdivisão, com inspiração gótica. Ao contrário do que o nome possa sugerir, não há nenhuma conotação sexual como a personagem do livro de Vladimir Nabokov.
"Comecei a participar do grupo há pouco tempo, mas já tinha interesse nesse mundo. Às vezes vou no shopping vestida assim, ou nos encontros, mas realmente as pessoas não estão muito acostumadas".



