Muito mais que um corpinho bonito
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sábado, 13 de janeiro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

José, 30, é acostumado a treinar. Homem educado, cumprimenta a todos quando chega na academia. De banho tomado e roupas limpas, pega a anilha de 50 kg, faz a sua série no equipamento e muda de exercício. Ana, 72, em seu primeiro dia de treino, seria a próxima a usar o aparelho se conseguisse tirar a anilha de 50 kg sozinha, mas desistiu, e foi reclamar com as novas amigas de treino. Em todos os espaços, é preciso seguir regras para o bom convívio. Na academia não é diferente.
Seja José ou Ana, os dois comportamentos ilustrados estão errados, de acordo com Maria Inês Borges da Silveira, consultora de comportamento profissional e de etiqueta social. Segundo a especialista, os preceitos principais da boa convivência são educação e respeito. "A cordialidade vem em primeiro lugar, sempre cumprimente, peça desculpas se esbarrou em alguém se ou fez algo que atrapalhasse. É o bom senso que toda pessoa deve ter para o convívio", explica.

Embora essas sejam as orientações básicas, há quem cometa gafes. A FOLHA perguntou a alguns frequentadores de academia quais seriam os principais erros de etiqueta na hora do exercício físico e uma boa parte se lembrou do personagem ilustrado, aquele que utiliza peso nos equipamentos, mas esquece de devolvê-los no local. "Mesmo que tenha quem coloque, mesmo que tenha funcionários, você usou, coloque no mesmo lugar, é respeito ao próximo", argumenta Silveira.
Outra situação constrangedora é ouvir os gemidos de quem faz atividades que exigem muito esforço. "Não precisa barulho, assim como as pessoas que conversam muito, elas distraem outros que estão concentrados no exercício", avalia a consultora, indicando também a fofoca como mal comportamento. Dessa forma, deve-se evitar comentários e julgamentos e não ficar batendo papo no local.
Ficar se olhando no espelho tomando a frente de quem quer usar para corrigir a postura também não é elegante. Limpar o aparelho após o uso também é regra e, normalmente, faz parte da norma da academia. Atravessar pessoas que estavam na fila para um aparelho ou ficar no celular enquanto se exercita não é educado.

A falta de higiene também pode perturbar. Mau hálito, chulé ou odores desagradáveis foram pontuados. "É um desrespeito, tem que ter esse cuidado. Assim como aqueles que abusam do perfume. O ideal seria usar algo suave, natural, que seja agradável para quem está ao lado", ensina.
A consultora indica o equilíbrio também na hora de se vestir, usando roupas confortáveis, prendendo o cabelo, não utilizando muitas joias ou maquiagem, itens que a atividade dispensa. "Nada de exageros para evitar que se machuque ou te atrapalhe. E lembrar também que a roupa de malhar não é a mesma de passeio. Tem gente que sai da academia e vai com a mesma roupa para outro lugar", afirma.
Local de muitas pessoas com interesse em comum, a academia se torna também um ambiente de paqueras. Mas a consultora pede para que se tenha bom senso para não sair distribuindo cantadas por aí. "Nós vivemos em uma época de desrespeito à mulher e academia não é lugar para isso. Pode até puxar conversa lá fora, ser simpático, mas não cantada, isso é um desrespeito", aconselha. Com isso, a consultora explica que a boa educação é a base para que o bom senso prevaleça. "Não é uma coisa só, é um conjunto de fatores", finaliza.


