Muito além do bom dia
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sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 

Pode ser o estresse do dia a dia, a correria em que todos vivemos, a verticalização das moradias. Ninguém sabe ao certo, mas a convivência entre os vizinhos diminuiu consideravelmente. A imagem que muitos ainda têm daquele lugar em que podíamos pedir uma xícara de açúcar emprestada, ou de alguém que eventualmente tomava conta das crianças por algumas horas, ou ainda alguém que olhava pela casa enquanto viajávamos, foi se perdendo.
Muita gente hoje mal sabe quem mora ao lado e se limita a dar um bom dia quando entra no elevador. Em alguns lugares, entretanto, a boa e velha camaradagem entre vizinhos permanece e torna a convivência diária muito mais agradável.
A bancária Suzana Aranda Martins e a tradutora Maria Thereza Magalhães Forattini são um bom exemplo de que a relação entre vizinhos pode ir muito além de um simples bom dia. Thereza conta que seus pais já residiam no prédio quando ela foi morar com eles, há 30 anos. "Minha mãe sempre rezava para que um anjo trouxesse um bom vizinho, alguém com que pudéssemos conviver. E há cinco anos a Suzana se mudou para cá", diz rindo.
Com apenas duas unidades por andar, as vizinhas têm uma convivência bastante próxima, já que as portas são praticamente frente à frente. No hall do andar, samambaias e outras plantas das moradoras tornam o ambiente ainda mais acolhedor.
Suzana diz que sempre gostou de manter boas relações com os vizinhos e ao se mudar para o novo apartamento não foi diferente. "Fizemos muito barulho por conta da reforma. Quando nos mudamos vim trazer flores para ela, me apresentar e pedir desculpas pelo incômodo. Fomos ficando amigas e hoje uma ajuda a outra no que pode", explica.
As vizinhas têm a chave do apartamento uma da outra, cuidam dos apartamentos quando a moradora está viajando e se reúnem para tomar café da tarde, inclusive com a presença de outras vizinhas. "Ajudo a Thereza como posso. Se vou ao mercado ou à feira pergunto se ela precisa de algo ou se quer ir comigo. Às vezes faço alguma coisa e trago para ela, que também faz pratos e leva para mim. Se a minha cachorrinha tem algum problema quando estou fora, ela vem cuidar. Quando operei as varizes ela foi ao hospital comigo. É importante termos um bom relacionamento com os vizinhos", aponta.
"Os vizinhos são a nossa família boa e considero sorte termos bons vizinhos. A Suzana é essa vizinha. Quando minha mãe ficou doente ela sempre nos ajudou. Nos tornamos amigas. Sempre me dei bem com os vizinhos, acredito que o bom conviver é muito saudável", ensina Thereza.


