Muito além de saudáveis
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sexta-feira, 01 de junho de 2018
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 

Muitas pessoas associam o alimento produzido sem agrotóxicos a alimentos orgânicos, mas o processo de cultivo é muito mais complexo do que simplesmente isso. Engenheiro agrônomo e agricultor orgânico, Felipe Machado de Freitas também faz auditoria e presta assessoria técnica. Ele explica que quem deseja iniciar a produção orgânica deve se atentar para vários fatores, onde o objetivo final é não somente a qualidade do alimento mas também fatores ambientais e sociais.
Segundo ele, há três formas de certificação para os produtos orgânicos, sendo uma mais simples, para venda direta da produção em feiras livres ou vendas institucionais, como programas de alimentação; uma certificação participativa, quando os próprios agricultores organizados e cadastrados no Ministério da Agricultura fazem a certificação; e por último, por auditoria, feita por empresas também cadastradas no Ministério da Agricultura.
"A auditoria pode ser feita uma vez ao ano, quando são culturas de ciclo longo, como frutas e café, ou duas vezes ao ano para culturas de ciclo curto, como hortaliças", explica.
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O primeiro passo para quem deseja produzir orgânicos é fazer o isolamento da área, seja por muros ou barreiras naturais, como plantas específicas, depois de respeitado o período de conversão. Esse é um intervalo de 12 ou 18 meses, conforme a cultura, levando como ponto de partida a última vez que foi usado algum agrotóxico ou adubo sintético no terreno. "Pode ser (isolada a) área total ou uma pequena parte. Se tem produção convencional, não pode ter o mesmo produto no escopo de orgânico. O que a lei prevê é que se você planta alface crespa no convencional, pode plantar alface lisa no orgânico, mas iguais na mesma unidade de produção não é permitido, é uma tentativa de não haver fraudes", diz.
Outros pontos a serem observados antes de requerer a certificação são os relativos ao meio ambiente, como respeitar a reserva legal e análise da água comprovando não ter contaminantes e também sociais. "Se o produtor tem funcionários na propriedade eles têm que ser registrados formalmente, cumprir com encargos trabalhistas e sociais, para evitar exploração de mão de obra", afirma.
Um outro requisito é o caderno de campo, onde o produtor deve anotar desde o número de mudas compradas, por exemplo, todos os insumos utilizados que devem ser apenas os permitidos, extraídos de forma legal -, até quantas hortaliças foram colhidas. "Tudo que entrar de insumo tem que guardar a nota, para conseguir fazer a rastreabilidade. Mudas, sementes, é preciso comprovar muito bem a origem porque transgenia não é aceita em manejo orgânico. Esse tipo de certificação veio porque perdemos o contato direto entre quem produz e quem está comendo. É uma forma de garantir a segurança, de que o alimento não teve contaminação", diz o engenheiro.


