"Me orgulho da cor dela, diferente e exclusiva", diz o autônomo Fernando Peron, feliz proprietário de uma Caravan 1976
"Me orgulho da cor dela, diferente e exclusiva", diz o autônomo Fernando Peron, feliz proprietário de uma Caravan 1976 | Foto: Roberto Custódio



Preto, prata, branco. Uma olhada rápida pelas ruas da cidade e vai ser fácil constatar que a grande maioria dos carros tem cores básicas. Algo bem diferente de décadas passadas, quando as ruas eram dominadas por carros bem coloridos: verde, laranja, vermelho, amarelo.

O autônomo Fernando Peron é o feliz proprietário de uma Chevrolet Caravan 1976, verde. Ele conta que o pai e o avô tiveram Caravans e o sonho dele era ter uma também. "Eu queria uma antiga, para colocar acessórios. Quando fiz 18 anos comecei a procurar e, aos 20, encontrei. Ela já era verde, um verde metálico mais escuro, estava bem desbotada e escolhi um novo tom para ela", conta, dizendo que é fã da cor.

Peron conta que o carro faz sucesso e frequentemente ele é abordado por outros colecionadores que querem saber qual foi a tinta utilizada. O autônomo apenas diz que é uma tinta automotiva, e faz segredo do restante, já que não tem interesse em ver mais carros com a mesma cor do seu. "Muita gente quer copiar, e eu me orgulho da cor dela, diferente e exclusiva. Hoje é tudo muito igual", diz. Além da Caravan, ele tem um outro carro, de cor mais tradicional, mas o xodó é a Caravan verde.

Ao contrário de muitos outros colecionadores que só tiram o carro da garagem aos finais de semana, para uma voltinha rápida, Peron afirma que adora andar com o carro e inclusive vai para a praia com ele. "Uso para lazer, vou a eventos de carros antigos e uso no dia a dia. Tenho outro carro, mas ela é a minha preferida, não vendo de jeito nenhum", garante.

Paulo Corso, diretor do Clube Opaleiros de Londrina, proprietário de um exemplar preto, conta que até 1980 os Opalas saíam com cores mais vibrantes, depois, passaram a exibir cores mais sóbrias, como preto e azul.

"Se observar, é um fenômeno mundial, os carros americanos também eram mais coloridos. Depois o consumidor passou a ditar a preferência por carros com cores mais sóbrias. O preço de revenda, a manutenção e a segurança seriam fatores que influenciariam isso. Um carro preto, como o meu, chama menos atenção do que um carro colorido. Também já ouvi falar que a preferência dos consumidores pelo carro branco teria a ver com os eletrônicos, como os smartphones. E é claro que isso barateia o custo de produção também, afinal, são menos cores na linha de montagem", aponta.

Montadoras estudam quais cores serão usadas

Entre as concessionárias de veículos, a opinião é as cores branco e prata são as preferidas pelos consumidores atualmente. Waldir Rezende, diretor comercial da Metronorte, afirma que muitas pessoas escolhem a cor pensando na hora da revenda.

"Já existe procura pelo vinho e vermelho, mas é mais complicado, nos modelos menores é mais fácil aceitarem essas cores. Muitas pessoas tinham receio de ter que fazer um retoque na pintura e ficar manchado, mas com a tecnologia e a qualidade das tintas atualmente, isso não acontece mais, desde que se procure uma boa oficina", destaca.

Ele diz que para definir quais cores serão usadas nos lançamentos, as montadoras têm um comitê para estudar e definir com antecedência quais serão as escolhidas. Já as concessionárias escolhem os veículos das cores mais solicitadas pelos clientes. "Em alguns casos é necessário aguardar o carro chegar. Mas não temos um perfil de quem busca essas cores diferentes, percebemos algo mais relacionado aos modelos."

José Eduardo Carneiro dos Santos, gerente de vendas da Marajó Citroën, diz que os carros pretos ainda têm saída, mas não tanto como há alguns anos. "A preferência é pelo prata, por não mostrar muito a sujeira e eventuais riscos. Nos carros pretos a manutenção é um pouco mais difícil. Mas as cores fortes tendem a crescer, assim como na Europa já se vende o azul e o vermelho, fugindo do tradicional", diz.

Para quem ainda acredita que carro vermelho é exclusivamente feminino, eles explicam que isso não faz mais sentido, principalmente com os tons de vermelho mais escuros.

Ambos também concordam que há sim clientes que buscam cores mais fortes, mesmo que fujam um pouco do tradicional. "Mulheres pensam no que é mais prático. Em nossa experiência, quem busca essas cores são geralmente homens de meia idade", afirma Santos.

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