Movimento da Imagem Corporal busca trazer a consciência de que todo corpo é bonito
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sexta-feira, 01 de setembro de 2017
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 

A fotógrafa australiana Taryn Brumfitt não imaginava que uma simples fotografia postada no Facebook causaria tamanho rebuliço. Casada, mãe de três filhos, ela estava cansada de lutar contra o próprio corpo, tentando se enquadrar nos padrões sociais.
Em 2013, depois de emagrecer a ponto de participar de um concurso de fisiculturismo e mesmo assim continuar infeliz com seu corpo, Brumfitt resolveu que era hora de ser feliz, comer com prazer e cuidar da sua saúde, sem neuroses. Ela então fez uma montagem usando sua foto de "antes" - magra e de biquíni no concurso - e "depois" - com alguns quilos a mais para os padrões sociais - e postou na web. Imediatamente começaram a chover mensagens de pessoas dos mais variados lugares, contando sua própria experiência com o corpo. Não faltaram também pessoas agredindo-a e dizendo que tudo era apenas preguiça de ir para a academia.
Em busca de descobrir porque as mulheres odeiam tanto seus corpos, Brumfitt viajou por diversos países e o resultado está no documentário Embrace, disponível na Netflix. Surpreendente e em muitos momentos chocante, a peça mostra diferentes mulheres e seu caminho até chegar na aceitação de seus corpos, mesmo que eles estejam acima ou abaixo do peso ideal, que ele tenha imperfeições ou cicatrizes. Da viagem também surgiu o Body Image Moviment BIM (Movimento da Imagem Corporal), que busca mostrar para as pessoas que o importante é se aceitar e ser feliz, independentemente de se encaixar em um padrão estético preestabelecido."O propósito de sua vida não é ser um enorme ornamento para ser olhado, mas sim fazer, sentir, realizar e contribuir", afirma ela.
O movimento se espalhou pelo mundo e já chegou ao Brasil. Uma das embaixadoras do BIM por aqui é a empresária mineira Caroline Kerbidi. Como toda, ou quase toda mulher, ela já entrou em conflito com a balança algumas vezes. Acima do peso, tentou dietas e exercícios físicos, que algumas vezes trouxeram resultados e em outras, nem tanto. Em uma das vezes que conseguiu se adequar ao peso esperado, percebeu que isso não lhe trouxe a felicidade esperada. Hoje, junto com as amigas Ana Carolina Diniz, Mariana Cyrne e Jamille Chamon tem o Blog Garotas FDP Fora do Padrão, onde falam sobre moda e outros assuntos relacionados ao universo plus size.
"O Movimento de Imagem Corporal é muito maior do que plus size, é sobre pele negra, cabelos naturais. O movimento aceita tudo isso. Ele veio de uma necessidade, com a abertura dos canais de comunicação na forma de redes sociais e blogs, com mais oportunidades de ver o mundo real. As pessoas estavam enquadradas em padrões e infelizes porque são padrões irreais. Aí surgiu o debate: precisamos disso para ser feliz?", diz Kerbidi.
A empresária avalia que foi a partir disso que a mídia passou a contemplar modelos fora do padrão em suas publicações, mas ainda como se estivesse preenchendo uma cota. Porém, isso não é de todo ruim. "A representatividade importa sim. Está ainda longe do ideal, mas de tanto as pessoas verem vai acabar sendo uma aceitação real", diz.
Kerbidi conta que ela e as amigas já percebem isso no contato com suas leitoras. Muitas enviam mensagens contando sobre as dificuldades enfrentadas e como passaram a se reconhecer como bonitas após acompanharem as postagens. "Ser gorda é uma característica, não um xingamento. Há quem diga que hoje já consegue se amar mais. Percebemos, olhando os perfis das leitoras, que antes elas postavam fotos só de rosto e nas fotos mais recentes já colocam foto do corpo inteiro. É isso que nos motiva."
Ela faz questão de ressaltar que o movimento não é contra exercícios ou perder peso. "Não podemos ir de um extremo a outro. Não somos contra dieta ou emagrecer, só dizemos que a pessoa precisa se amar agora, não ter essa ideia de que se emagrecer vai ser feliz. Eu já emagreci e não tive essa felicidade toda", reforça.


