Mochilão com a mamãe
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sexta-feira, 11 de maio de 2018
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 

Viajar sozinha com as crianças pode ser um bom momento para novas descobertas e felizes lembranças. Apesar de exigir um pouco mais de planejamento para dar conta de tudo sem outro adulto por perto, não é impossível.
Mãe de Carolina, 2, e amante de viagens, a professora Letícia Barbosa Silva, de Assis (interior paulista), não se intimidou e levou a filha para passear na Europa em dezembro do ano passado. Juntas visitaram Londres e Amsterdã, além de Bogotá, onde precisaram ficar um dia por causa de um problema com a conexão dos voos.
"Eu sempre gostei muito de viajar e quando me tornei mãe, decidi que não ia parar a minha vida. Para ela também será bom crescer dessa forma, conhecendo novos lugares e novas pessoas, crescer sem preconceitos. Quando eu tinha 17 anos fiz intercâmbio em Londres e ainda tenho contato com a minha família inglesa. Meu pai inglês já faleceu, mas queria muito que a minha mãe conhecesse a Carolina", explica.
Ela conta que antes elas já haviam viajado para o Chile, como uma forma de teste, mas na companhia de um amigo, quando a menina tinha pouco mais de um ano.
Desta vez, por ser uma viagem mais longa, Silva preferiu fazer uma escala na Colômbia para que a menina tivesse tempo para descansar um pouco. Ainda assim ficou com receio dela estranhar. "Tivemos um problema de overbooking e por isso tivemos que ficar um dia em Bogotá. Depois de muita briga a companhia aérea nos acomodou em um hotel. No final acabou sendo bom porque a viagem foi em etapas e ela teve um tempo maior para descansar", explica.
Filha de pai holandês, a menina ainda não tem o nome dele na certidão de nascimento, o que dispensou a necessidade da autorização paterna para a viagem. "Não tive esse tipo de problema, mas na imigração senti um pouco de preconceito por viajar sozinha com ela. Perguntaram quem estava pagando a nossa viagem e pareceram não acreditar que uma professora fosse capaz disso quando afirmei que os custos seriam todos bancados por mim e apresentei meus holerites. Pode até ser que fosse uma questão de segurança, por causa de tráfico de pessoas", pondera.
Em Londres a dupla se divertiu passeando pela cidade. Silva ressalta que a viagem com crianças é diferente, ainda mais se forem pequenas como Carolina. "Você não vai fazer compras e a viagem precisa ser pensada para elas. Criança mau humorada não vai te deixar fazer nada. Não vai rolar bar, musicais, mas um programa muito legal são os ônibus turísticos, por exemplo, ela gostou muito."
Depois elas seguiram para Amsterdã, para encontrarem o pai da garotinha. A professora preferiu usar um trem, que dispensa a necessidade de check-in e aguardar as malas, como nos aeroportos.
"Nos hospedamos em um quarto pelo Airbnb. Foi muito legal porque os donos da casa eram uma brasileira e um holandês. A cidade tem muita estrutura para as crianças, Carolina conheceu o pai, passeamos juntos. É uma viagem cansativa, mas ver ela se divertir foi recompensador. Minha intenção é que ela seja minha companheira de viagens. Meu plano sempre foi viajar muito, fiquei grávida dela durante uma viagem e isso foi apenas uma mudança de logística", diz a mãe.
Mesmo sendo tão pequena Carolina voltou falando algumas palavras em inglês e também tomou gostou por comer ovos no café, como fazia na viagem. "Ela se lembra da minha irmã da Indonésia, que fez intercâmbio se hospedando na mesma família que eu e foi nos encontrar em Londres. Ela se lembra do zoo que visitou na companhia do pai, das botas que usou. Foi uma viagem muito marcante e no próximo ano queremos viajar novamente."
Dicas para viajar com as crianças

Para quem deseja se aventurar sozinha com as crianças, Letícia Barbosa Silva recomenda se preparar com antecedência. Por ainda ser pequena, Carolina, 2, usou bastante o carrinho de bebê, de um modelo mais propício para viagens. "Muitos pais não sabem, mas o carrinho pode ir até a porta do avião, o que facilita nas conexões. Não tem que despachar junto com a bagagem."
Para distrair Carolina durante o longo tempo de voo, Silva optou por levar livros de pintura, cartelas de adesivos e também fones de ouvido maiores, mais confortáveis do que os dos aviões. "Vi uma dica sobre dar um presente novo para a criança se distrair durante o voo, por isso os livros e adesivos. Aqueles fones pequenos também são inadequados para os ouvidos infantis e com o outro ela pôde assistir mais tranquilamente aos filmes no avião. Os comissários foram muito atenciosos conosco e a viagem foi muito tranquila."
Filmes baixados no celular, com bateria extra de um carregador portátil, ajudaram em longas esperas, como na fila de imigração, que em Londres não tinha um guichê preferencial. Também é indispensável sair sempre com água e alimentos, além de não esquecer os remédios de uso frequente acompanhados das respectivas receitas, mesmo com o seguro saúde.
"Fiquei com medo dela estranhar o frio, mas não. Na Europa eles têm a cultura de caminhar mesmo com chuva ou frio. Me preparei levando roupas adequadas, finas mas quentes, e botas impermeáveis. Aliás, uma dica importante é reduzir ao máximo possível a bagagem, já que só haverá você para cuidar de tudo. Nós viajamos com um mochilão, uma bolsa de mão e o carrinho dela. Usamos muito o transporte público, que lá já tem um local específico para o carrinho de bebê. Só nas estações de metrô que é preciso se atentar porque nem todas têm elevador", ensina.


