Missa presidida por Dom Orlando Brandes traz elementos da cultura africana para a indumentária e o ofertório
Missa presidida por Dom Orlando Brandes traz elementos da cultura africana para a indumentária e o ofertório | Foto: Divulgação



Na celebração religiosa, acessórios como turbantes, berimbaus e roupas coloridas. No vocabulário, palavras como axé e quizomba. Entre as imagens presentes, figuras como Zumbi dos Palmares e São Jorge. A descrição poderia remeter a cerimônias de religiões de matriz africana, como umbanda e candomblé. Ocorreu, porém, em uma missa católica celebrada na Paróquia Nossa Senhora do Amparo, no Jardim Interlagos (Zona Leste), há uma semana, em Londrina.
A iniciativa é da Pastoral Afro da Arquidiocese de Londrina. A chamada Missa Afro foi presidida por Dom Orlando Brandes e concelebrada pelos padres Antônio Carlos da Silva, Luciano da Paixão, que é o coordenador da pastoral Afro, Cristiano Bento dos Santos e Altair Manieri.
"O objetivo é criar um vínculo maior com a população afrodescendente e empoderar sobre os próprios direitos. Também queremos combater a intolerância religiosa", afirma padre Antônio. A chamada missa "enculturada" busca trazer para o contexto celebrativo o universo sociocultural e religioso dos africanos. "Nossos antepassados, quando vieram para o Brasil, tiveram que deixar a própria cultura e identidade religiosas. A missa busca resgatar esse contexto", pontua.
Os elementos da cultura africana estão presentes na indumentária, no ofertório – que celebra o universo culinário da África – e nas danças e músicas adaptadas. Zumbi dos Palmares, Santa Bakhita e santos negros como São Benedito e São Martinho de Porres são valorizados para criar representatividade. "A ideia é que os negros tenham referencial e se reconheçam", diz.
Sobre a aproximação com os rituais do candomblé e da umbanda, o padre destaca que a pastoral Afro pretende desmistificar o preconceito contra essas religiões, que por séculos foram demonizadas no Brasil. "Hoje a Igreja Católica – que forçou a conversão dos negros – não impõe mais a fé cristã. Aproveitamos elementos da cultura para valorizar o que está ligado ao universo do cristianismo", esclarece. (C.A.)

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