Meu talento é uma oportunidade de negócio?
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sexta-feira, 07 de setembro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
Muita gente começa no artesanato como uma atividade de lazer e, aos poucos, descobre-se um talento e pessoas interessadas nos produtos. Unir o útil ao agradável pode ser uma boa, mas é preciso ter conhecimento para além da atividade em si.
"Para descobrir a potencialidade do artesanato é preciso enxergá-lo como um negócio", explica a consultora do Sebrae/PR de Londrina, Liciana Pedroso. Para isso, são necessários alguns caminhos: "Você tem que pensar: tem mercado para o produto?", questiona.
Informar-se sobre o que o mercado busca é considerar a quem o objeto de venda deve ser apontado. No caso do artesanato, Pedroso exemplifica que pode seguir na linha tradicional, com um perfil de possíveis clientes, ou moderna, com outro direcionamento.
Após pensar na possibilidade do mercado, é preciso defini-lo e enxergá-lo além do próprio desejo. "Avaliar o quanto é possível ganhar dinheiro em cima disso", explica. A análise deve ser feita com honestidade antes que se coloque a expectativa acima da realidade.
A partir daí, começar a desenhar o modelo de negócio. É ele que vai definir todo o processo. "Como vou trabalhar? Qual é a proposta? Quem é o meu cliente? O que vou entregar? Quanto preciso investir? Quais são as formas de chegar no cliente? Qual é a logística?", enumera, lembrando que todo o passo a passo seja considerado neste planejamento.
A consultora explica que o artesanato provém totalmente do trabalho do artesão e, como outros produtos, precisa de uma constância na entrega. Essa dependência individual pode ser um empecilho, mas a consultora explica que o artesão pode se unir a outros empreendedores, como nos formatos de associação, cooperativa ou central de vendas.
INOVAÇÃO
Os trabalhos mais comuns de artesanato são passados de geração em geração, mas isso não quer dizer que ele precisa ter sempre o mesmo resultado. "A inovação é fazer diferente aquilo que você fazia", afirma Pedroso. Por isso, a consultora dá dicas de tentar diferenciar o produto.
"Tem que seguir as tendências, se não se usa mais o azul e branco, por que não utilizar uma cor diferente? Utilizar outro material, remeter ao ambientalmente correto, à Amazônia, trabalhar com reciclagem, sempre há os nichos. Hoje, estamos muito envolvidos na questão saudável. Eu consigo contribuir com meu produto para que ele seja ambientalmente sustentável?", aponta.
FORMALIZAÇÃO
"A questão da documentação depende muito da forma como ele vai trabalhar e é preciso ter formalização rápida para se colocar no mercado", aponta a consultora. Segundo ela, o cadastro para o MEI (Microempreendedor Individual) é uma boa alternativa, pois possui menor custo e processo agilizado. "A formalização do MEI é custo zero, só paga o valor para contribuir para o seu INSS, o que é superimportante para ter benefícios previdenciários", afirma.


