A casa do Calhambeque, na rua Bahia, fazia sucesso nos anos 1990: sem limites para os gastos e para a criatividade
A casa do Calhambeque, na rua Bahia, fazia sucesso nos anos 1990: sem limites para os gastos e para a criatividade | Foto: Arquivo Pessoal



O jardim Quebec (oeste) foi um dos bairros mais movimentados na época do Natal no final da década de 1990. Filas de carros atravessavam as ruas nas noites de dezembro para que todos pudessem admirar as luzes das fachadas. A casa do Calhambeque, na rua Bahia, também fazia sucesso. Lá, a família Cantoni levava dias para completar a decoração que contornava também o charmoso carro na garagem. Casa do Papai Noel, Catita enfeitada, ônibus de céu aberto, espetáculos... Londrina guarda boas memórias dos Natais de décadas atrás.

"Naquele tempo não tinha essa luz branca, era muito pouco, e eu consegui comprar uns três rolinhos e ia colocando no contorno da casa. Um dia eu joguei por cima do Calhambeque e gostei", conta José Cantoni, 64, que chegou a colocar 22 mil lâmpadas na casa entre os anos 1995 e 1997. Como o movimento de carros para contemplar a casa ficava intenso, o patriarca comenta que promovia outras ações. "Pegamos gosto pela coisa, a gente comprava de 6 a 12 kgs de balas, eu ou meus irmãos colocávamos roupa de Papai Noel e entregávamos doces para as crianças nos carros. Aquilo era uma alegria!", recorda animado.

De acordo com ele, nenhum vizinho reclamava, as pessoas gostavam do movimento e do clima. As luzes formavam estrelas, cascatas, sinos que acompanhavam sons de badalos... Não havia limites para a criatividade do empresário. O trabalho era dividido. "Meus filhos eram pequenos na época, eles trocavam lâmpadas, encaixavam, colocavam no lugar. Lembro que a gente levava choque, porque não entendia nada de energia", ri. Todo o processo demandava manutenção, fazendo o empresário voltar para casa mais cedo para ajeitar tudo antes de acender as luzes.

A casa de esquina, toda enfeitada, era uma espécie de atração para os londrinenses. Algumas vezes houve cantata na frente, outras, o jogo de luzes é que atraía público. Muitos guardam fotos daquela residência, mas atualmente a família não faz mais as decorações. "Faz muitos anos que não enfeito mais. Um pouco pelos nossos governos, desmotivou muita gente. A própria cidade não deu motivação, veio a crise econômica", explica.

Para ele, ficam as histórias que a sua casa produziu com pessoas que ele nem conhece, apesar do trabalho. "A gente não media quanto gastava, porque fazia por amor, todo dinheiro que sobrava ia naquilo. Era outro tempo, eu não via a hora que escurecesse para ver acender as luzes." Relembrar o faz idealizar um retorno, uma maneira de talvez reacender as luzes do espírito natalino na cidade e criar novas boas memórias. "Até hoje as pessoas lembram da casa do Calhambeque", finaliza com orgulho e nostalgia.

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