"Outro dia, uma sopa de cabotiá, muito parecida com a que a minha avó fazia, me fez chorar", conta o o chef de cozinha e ator Remir Trautwein, um "chorão" assumido
"Outro dia, uma sopa de cabotiá, muito parecida com a que a minha avó fazia, me fez chorar", conta o o chef de cozinha e ator Remir Trautwein, um "chorão" assumido | Foto: Gina Mardones



Filmes, músicas, cheiros, sabores, lembranças, piadas. A lista do que nos faz chorar - de tristeza, saudades ou até alegria - é longa e particular de cada um. Nossas experiências pessoais e o que estamos vivendo a cada momento podem ser o gatilho do que nos irá emocionar, mesmo quando mais ninguém tiver sensação semelhante.

"Chorão" assumido, o chef de cozinha e ator Remir Trautwein diz que várias coisas são capazes de emocioná-lo, principalmente aquelas ligadas a lembranças de infância. "Eu sou capaz de chorar ouvindo dobrado, aquela música de banda, já viu isso? Ainda criança eu ouvi e comecei a chorar, sem saber porquê. Aliás, até hoje eu não sei porque fico emocionado. Outro dia um amigo fez uma sopa de cabotiá, muito parecida com a que a minha avó fazia. Essa avó é a minha inspiração para a culinária e eu gosto muito do que faço, porque mato a fome das pessoas e provoco prazeres. Eu fui tomando a sopa e a memória veio, comecei a chorar. Além do sabor, creio que foi também porque eu percebi a energia que havia ali, aquela sopa foi feita com amor", afirma.

Outra lembrança capaz de emocioná-lo é o cheiro de cera para piso. Para Trautwein, o cheiro do produto evoca lembranças de infância, quando aos sábados todos os móveis de sua casa eram erguidos para que o ritual de limpeza ficasse mais fácil. "Aquele cheiro marcava a chegada do final de semana e a festa que seria o domingo", diz ele.

Nascido em Cambará e com família grande, ele conta que muitos parentes foram morar fora, mas se reuniam em datas especiais, mesmo que o motivo não fosse exatamente de festa. "Todos os nossos mortos são enterrados lá, então no Dia de Finados todos os parentes voltavam para visitá-los. Eu era criança e não entendia aquilo direito, mas era uma festa para mim. Aliás, três ocasiões eram de festa: meu aniversário, Finados e o Natal."

Também da infância ele traz outras memórias capazes de evocar emoção, como procissões e o desfile do circo. "Aquelas memórias me influenciaram no teatro, as pernas de pau, ver aquela imagem da procissão de cima, já que morávamos em uma casa alta e tínhamos uma vista privilegiada da varanda. Ver essas coisas traz memórias de família, a segurança da minha mãe, a minha terra natal."

Como ator, Trautwein diz que buscava as emoções pessoais para chorar em cena. "Foram poucas as vezes que eu precisei chorar, mas recorria a essa técnica, cada ator desenvolve a sua. Eu sempre fui de chorar muito, minha mãe também. Nunca fui reprimido a não fazer isso, não controlo o choro. Acho um privilégio que temos frente a outros animais, conseguir perceber um sentimento. Minha mãe e eu nos reunimos e nos divertimos chorando. Lembramos histórias e choramos e rimos. Digo que as pessoas nem me levam a sério mais quando me veem chorando", conta divertido.

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