Imagine a situação: você convida um grupo de amigos para um jantar na noite de sábado. A ideia é ter uma reunião agradável, relaxar da correria semanal. Tudo vai indo bem até que um dos convidados resolve falar de política e você já sabe que nem todos pensam da mesma maneira. A noite que tinha tudo para ser tranquila está ameaçada e você fica pensando o que fazer para tentar salvar a situação.

"Como anfitrião, você pode interferir na conversa e pedir para as pessoas mudarem de assunto, já que o tema é polêmico", explica a jornalista e consultora de etiqueta Kellen Lopes. Como anfitrião vale se atentar também para jamais levar a conversação para assuntos que possam gerar discussão, como política e religião. "A conversa pode não terminar bem", alerta a especialista.

Em tempos de politicamente correto, medir as palavras e pensar antes de falar são regras de ouro. Lopes explica que para a etiqueta, ser politicamente correto significa pensar em suas atitudes e agir com bom senso. "Inclusive as pessoas pensam que as regras de etiqueta são para as pessoas ricas, com status, mas elas servem para todos. A etiqueta é um código para melhor o relacionamento social ou na empresa. Se a pessoa não aprende vai ter problemas. Ser politicamente correto é tratar a todos de forma igual, independente se é o porteiro do prédio ou o CEO da empresa."

Mesmo com o término de uma eleição bastante polarizada, as pessoas continuam com os ânimos inflamados e qualquer discussão aparentemente inofensiva pode terminar em uma briga mais séria. Nesses momentos a dica da consultora é ouvir mais e falar menos. "As pessoas podem discutir, isso é saudável, mas é necessário respeitar o outro. Eu recebo uma ideia contrária, mas eu respeito. Se você vê que aquilo está extrapolando, mude o assunto", ensina.

A dica vale inclusive para quem está em eventos sociais e de repente se vê em meio a uma discussão da qual não quer participar. Vale tanto dizer que não irá colocar sua opinião em discussão quanto sair da roda de conversa.

Ainda segundo as regras de etiqueta, não adianta colocar-se como politicamente correto e ser incoerente em suas atitudes. "Beber e dirigir, por exemplo. As pessoas até zombam de quem não faz isso, chamam de certinho, tentam justificar que é só um copo, mas essa atitude pode causar sérios problemas. Outra situação é ser 'Maria vai com as outras'. Não é porque todos estão rindo de algo que você vai rir também. Questione se aquilo é realmente engraçado, tenha sensibilidade. Quando a pessoa raciocina, muda o discurso."

No ambiente corporativo as normas continuam valendo. "Algo bem sério é a contaminação de conversas, principalmente em empresas com muitos funcionários. Uma pessoa puxa um assunto e quando você vê está discutindo também. Lembre-se que assuntos polêmicos não devem ser discutidos no trabalho e respeite o direcionamento da empresa. Cuide de suas atitudes. Não adianta se dizer politicamente correto e ficar fazendo fofoca de alguém quando a pessoa vira as costas. E lembre-se que você continua representando a empresa mesmo quando o ambiente é informal, como em uma festa ou viagem de trabalho. Não é um momento de lazer", recomenda.

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