Martelada sonora
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sexta-feira, 07 de setembro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

"Uma bigorna, um martelo e um torno". Basicamente três ferramentas são utilizadas para transformar uma chapa de bronze. Três mil, quatro mil, cinco mil marteladas depois, o material cria forma, descansa e ganha a sonoridade do címbalo, ou prato de bateria, que ganha ainda mais personalidade quando feito de forma artesanal.
Em Londrina, uma dupla aposta nesse trabalho manual como negócio. A Red Foot ainda é jovem, tem apenas três meses de fundação, mas a proposta já está se mostrando promissora. "Está melhor do que a gente achou que estaria, principalmente na aceitação do público", conta um dos sócios, Bruno Schell, 35.
Antes de iniciar o próprio negócio, como representante de marca de bateria, teve a oportunidade de conhecer o trabalho artesanal na Turquia. "Fiquei pouco mais de uma semana lá acompanhando. É a técnica mais antiga e eles preservam até hoje a tradição de quatro a cinco séculos atrás. Isso aconteceu porque uma grande fábrica saiu de lá e muitos funcionários desempregados apostaram nesse trabalho para sustentar a família", explica.
De acordo com Schell, a forma propicia sonoridade mais musical que a do modelo utilizado pelas indústrias, que prensa o material. O problema é que a técnica exige muito do trabalho manual e foco em um só produto. "Tempo na produção é a nossa principal dificuldade, por isso se justifica as indústrias produzirem de uma maneira prensada. Nós estamos tentando melhorar a técnica porque esse tempo de 45 minutos a 1h15 só de martelamento está sendo a nossa maior dificuldade", afirma.
Diferente do modelo turco, a empresa produz os pratos e revende já prontos. "Lá, eles fazem como uma alfaiataria, querem atender o gosto do cliente", explica. O modelo de negócio atual visa atender um maior número de clientes e pretende expandir para vendas no atacado. "Nossa capacidade atual mensal é a produção de 100 pratos por mês. Eles custam, em média, de R$ 500 a R$ 800. Estamos planejando lançar uma série no próximo ano para quem precisa de sonoridade mais agressiva", afirma.
Schell e o sócio, Felipe Cedato, 32, têm experiência com o instrumento para poder qualificar o som. "O meu sócio é músico, tem sensibilidade auditiva, timbre. Eu sou baterista há mais de 20 anos, tenho a curiosidade do instrumento, sempre fui apaixonado pela sonoridade do prato, porque é o que dá a nuance, personalidade do músico. No início, eu modificava para mim, mas fazer do zero não, a gente está prototipando modelos já há algum tempo", explica. Quando pronto, eles divulgam vídeo na internet e o cliente que se interessar pode encomendar através de plataforma de vendas on-line.
Da chapa ao recorte em discos, das marteladas ao tempo de descanso para atingir a sonoridade, acabamento, detalhes da comercialização... O trabalho é ao mesmo tempo bruto e minucioso, como a do próprio baterista, nesse caso, inovação está na própria tradição. "É um prato artesanal com técnicas turcas de martelamento, diferencia-se do mercado porque todo mundo faz prensado, puxado. A gente fez a opção de trabalhar manualmente para conseguir sonoridade", justifica.


