Músico, redator publicitário e humorista, Arthur Santana, de Londrina, foge da rotina para manter sua criatividade sempre em alta. E atesta que precisa estar o tempo todo sendo estimulado a criar coisas diferentes, motivo pelo qual se sente completamente realizado profissionalmente. Ele conta que compôs as primeiras letras ainda criança, com pouco mais de 6 anos de idade. Depois começou a tocar profissionalmente, até que surgiu a hora de escolher um curso superior.

"Para mim, (criatividade) é algo que a gente desenvolve, como qualquer músculo", diz Arthur Santana, músico, redator publicitário e humorista
"Para mim, (criatividade) é algo que a gente desenvolve, como qualquer músculo", diz Arthur Santana, músico, redator publicitário e humorista | Foto: Gina Mardones



"Eu já compunha jingles publicitários e descobri que existia a faculdade de Marketing. Escolhi meu curso porque tinha a ver com criatividade. Eu preciso ter algo para pensar", garante. Autor de um blog de piadas, o convite para o stand-up surgiu depois de algum tempo e o palco se tornou mais um local para expor suas criações.

Para se manter sempre criativo, Santana diz que busca fazer coisas diferentes, seja um passeio de final de semana com a família ou mesmo mudar o horário de acordar. Pesquisar o que outras pessoas estão fazendo é outra maneira de manter as ideias em ebulição. "Eu toco samba e aqui no escritório ouço música clássica. Estou sempre quebrando o padrão. Antes eu fumava e quando descia para fumar eu tinha ideias. Aí parei de fumar e agora desço para comer pão de queijo. Estou engordando e preciso arrumar outra coisa para fazer. Algo que funciona muito é alocar uma linguagem de arte para a outra. Se eu preciso fazer uma campanha para um depósito (de construção), eu vejo um vídeo de uma campanha para uma concessionária na França. Isso me ajuda", ensina.

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TÉCNICAS
Ele afirma que quando percebe que está perdendo o rendimento, busca mudar alguma coisa em sua rotina. O mesmo acontece quando escreve muito para um mesmo cliente e justamente por isso gosta de ter diversas contas para atender. E para quem acha que tanta criatividade surge como um dom, o publicitário atesta que antes de tudo é um exercício diário, aliado a algumas pequenas técnicas.

"Hoje mesmo preciso escrever 40 posts sobre um mesmo assunto para clientes diferentes. Não existe alguém que senta e escreve 40 textos assim, nós temos algumas 'manhas' para fazer isso. É a prática, não é dom. A gente já pensa desse jeito. As pessoas têm a criatividade como um dom, mas para mim é algo que a gente desenvolve, como qualquer músculo. Mas não vou ser injusto também, tem muita coisa que vem, de uma vez. Eu sou um artista que tem fases. Neste ano compus o meu disco inteiro em dois meses, mas fiquei um ano sem compor também. Na música eu me dou o luxo de ter inspirações. Na piada a mesma coisa. Todo ano eu tenho um solo novo e eu trabalho o ano inteiro com o mesmo solo. Na publicidade eu não tenho esse tempo."

["Eu toco samba e aqui no escritório ouço música clássica"



LIMITES
O publicitário considera que não há diferença entre ser criativo na música ou na publicidade, o que existe é apenas uma diferença de linguagem. E destaca que o limite para sua criatividade é o respeito ao público e ao que o cliente deseja, já que a palavra final é dele.

"Priorizo o público e não a piada, mas para mim é o mesmo processo criativo. Meu solo deste ano é 'Enfim gordos e casados', porque me casei há pouco tempo e acabei engordando. As coisas que acontecem comigo eu levo para o palco e as pessoas se identificam. Na publicidade é o mesmo. Às vezes, é uma gíria que está em alta. A criatividade acho que tem muito a ver com algo que o outro se identifique. Para funcionar, a criatividade tem que interagir. Meu show é basicamente o riso pelo riso. Você está indo para rir, não para pensar. Admiro quem faça, acho arriscado, mas eu não (faço). O stand-up tem a característica do autoflagelo, as pessoas riem de você", diz.

MACHISTA
E continua: "Não faço piada de humor negro, piada escatológica. Acredito que o humor mudou. Não adianta você ficar falando sobre aquilo. Se o público diz que não pode, não pode. Saí da época em que cantava e os outros tinham que gostar daquilo. Tenho o hábito de ouvir as pessoas, descer do palco e conversar. Já disseram que uma piada era machista e eu mudei a forma de falar. Eu dizia que minha esposa era louca por pendurar a calcinha no chuveiro e agora digo que eu sou burro por não entender porque ela faz isso. A piada é a mesma, mas tudo vai do jeito de você falar. A piada tem um alvo, senão não é engraçada. O legal é que (o alvo) seja você."

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