Por ser um momento de reunião familiar, Natal e Ano Novo são situações particularmente difíceis para quem perdeu algum ente querido. Como estar feliz quando o luto está presente? Para a psicóloga Kellen Escaraboto Fernandes esse é um ponto bastante delicado, porque é um momento de comemoração da vida, mas ao mesmo tempo existe a falta de alguém importante.

"A maioria das famílias pergunta: 'se nós fizermos uma ceia ou almoço de Natal, vamos estar desrespeitando o momento de luto ou a pessoa que se foi?' Isso é preciso ser discutido e conversado em cada família. O luto tem diversos momentos e diversas fases. Momentos mais recentes em que a família se fecha, fica quieta. Mas sempre orientamos para que tenha algo representativo, simbólico, mesmo que seja para estar ali e lembrar daquele ente querido. Sempre incentivamos a pessoa a viver o luto, por mais que ele seja sempre difícil", recomenda.

A psicóloga aponta que muitas vezes o fato de não fazer nenhuma celebração não vai eliminar a tristeza ou saudade. A dor precisa ser vivida para que os familiares possam voltar a viver. Principalmente no caso da perda de um filho, em que há outras crianças, Fernandes recomenda que se faça algo.

"Não precisa fazer uma grande festa, mas tem que acontecer o momento que é importante para os que ainda estão aqui. Pode fazer uma oração, ter o momento de presente para as crianças, eles não podem sofrer as consequências desse não viver. Faça algo mais simples, algo que venha ao encontro daquilo que consigam suportar. Mas sempre orientamos para que vivam também nesse momento o luto. É óbvio que isso não se aplica a um luto recente, de 15 dias, um mês."

Para quem fica em dúvida sobre convidar alguém de luto para a ceia, a especialista afirma que o convite deve ser feito e a pessoa irá decidir se vai ou não. "Tem gente que diz que não vai perguntar sobre o assunto porque a pessoa vai lembrar de tudo de novo. Ela vai lembrar independentemente disso. Tem quem pensa que o outro chora porque quer atenção. Não, ele chora porque está triste. Essa pessoa precisa de atenção, acolhimento, carinho. Psicologicamente, o que não é bom, é o não viver o luto." (E.G)

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